Saber programar deixou de ser pré-requisito para trabalhar com inteligência artificial na maior parte das funções, mas as empresas passaram a cobrar outro tipo de preparo. É o que mostra reportagem publicada pela Exame nesta sexta-feira (9), com dados de Catho, LinkedIn e Gartner.
A Pesquisa de Tendências 2026 da Catho aponta que 58% dos profissionais recorreram à IA no trabalho em 2025, alta de 19% sobre o levantamento anterior. Eber Duarte, CTO da Redarbor Brasil, dona da Catho, afirmou que as empresas procuram pessoas capazes de interpretar informações, automatizar processos e usar a tecnologia de forma crítica. Segundo ele, mesmo quem não atua com tecnologia precisa entender como a IA afeta processos, clientes e resultados.
O que LinkedIn e Robert Half apontam
No relatório Habilidades em Alta no Brasil 2026, o LinkedIn coloca conhecimentos técnicos, como modelos de linguagem e cibersegurança, ao lado de competências comportamentais: escuta ativa, pensamento sistêmico e liderança estratégica. De acordo com a Exame, na rotina isso significa formular boas instruções para as ferramentas, conferir as respostas, proteger dados sensíveis e explicar os resultados aos gestores.
Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half na América do Sul, afirmou que o avanço tecnológico não reduz o valor das competências humanas. Para ele, quem combina automação, tomada de decisão e visão estratégica leva vantagem na disputa por vagas.
Gartner prevê seleções com avaliação sem IA
A Gartner projeta que, em 2026, metade das organizações no mundo passará a exigir avaliações de habilidades "livres de IA" nos processos seletivos. O motivo é o receio de que o uso excessivo de IA generativa enfraqueça o pensamento crítico. Nesses testes, pesam a resolução de problemas, a avaliação de evidências e a capacidade de decidir sem apoio da tecnologia. Quem aceita a resposta da ferramenta sem questioná-la tende a perder espaço, segundo a análise citada pela reportagem.
Programar segue obrigatório nas funções de desenvolvimento, treinamento e implementação de modelos, como engenharia de IA e aprendizado de máquina. Nessas vagas, a lógica de programação e o domínio de linguagens como Python ainda pesam na contratação e no salário.
Como montar um histórico de uso que convence
Para quem está fora da área técnica, a reportagem sugere escolher uma tarefa da rotina, como resumir relatórios, qualificar leads ou organizar dados de planilhas, e testar uma ferramenta de IA nela. O passo seguinte é medir o tempo economizado, comparar a qualidade do resultado com o trabalho manual e registrar o que funcionou.
Esse registro vira prova em avaliações internas e entrevistas. Com 58% dos profissionais já usando IA, apenas citar a ferramenta no currículo diz pouco: o que o recrutador tende a buscar é o número do ganho e a demonstração de que a pessoa sabe julgar o que a máquina entrega.



