sexta-feira, 9 de outubro de 2026 · Edição diária

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Catho: 58% dos profissionais já usam IA no trabalho, e o mercado cobra mais do que saber programar

Segundo a Catho, 58% dos profissionais recorreram à IA em 2025; LinkedIn e Gartner indicam que o mercado pede senso crítico e domínio das ferramentas, e a programação segue obrigatória só nas vagas técnicas.

Profissional usando notebook em escritório
Pesquisa da Catho indica que 58% dos profissionais brasileiros usaram IA no trabalho em 2025. Foto: Pexels / cottonbro studio

Saber programar deixou de ser pré-requisito para trabalhar com inteligência artificial na maior parte das funções, mas as empresas passaram a cobrar outro tipo de preparo. É o que mostra reportagem publicada pela Exame nesta sexta-feira (9), com dados de Catho, LinkedIn e Gartner.

A Pesquisa de Tendências 2026 da Catho aponta que 58% dos profissionais recorreram à IA no trabalho em 2025, alta de 19% sobre o levantamento anterior. Eber Duarte, CTO da Redarbor Brasil, dona da Catho, afirmou que as empresas procuram pessoas capazes de interpretar informações, automatizar processos e usar a tecnologia de forma crítica. Segundo ele, mesmo quem não atua com tecnologia precisa entender como a IA afeta processos, clientes e resultados.

O que LinkedIn e Robert Half apontam

No relatório Habilidades em Alta no Brasil 2026, o LinkedIn coloca conhecimentos técnicos, como modelos de linguagem e cibersegurança, ao lado de competências comportamentais: escuta ativa, pensamento sistêmico e liderança estratégica. De acordo com a Exame, na rotina isso significa formular boas instruções para as ferramentas, conferir as respostas, proteger dados sensíveis e explicar os resultados aos gestores.

Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half na América do Sul, afirmou que o avanço tecnológico não reduz o valor das competências humanas. Para ele, quem combina automação, tomada de decisão e visão estratégica leva vantagem na disputa por vagas.

Gartner prevê seleções com avaliação sem IA

A Gartner projeta que, em 2026, metade das organizações no mundo passará a exigir avaliações de habilidades "livres de IA" nos processos seletivos. O motivo é o receio de que o uso excessivo de IA generativa enfraqueça o pensamento crítico. Nesses testes, pesam a resolução de problemas, a avaliação de evidências e a capacidade de decidir sem apoio da tecnologia. Quem aceita a resposta da ferramenta sem questioná-la tende a perder espaço, segundo a análise citada pela reportagem.

Programar segue obrigatório nas funções de desenvolvimento, treinamento e implementação de modelos, como engenharia de IA e aprendizado de máquina. Nessas vagas, a lógica de programação e o domínio de linguagens como Python ainda pesam na contratação e no salário.

Como montar um histórico de uso que convence

Para quem está fora da área técnica, a reportagem sugere escolher uma tarefa da rotina, como resumir relatórios, qualificar leads ou organizar dados de planilhas, e testar uma ferramenta de IA nela. O passo seguinte é medir o tempo economizado, comparar a qualidade do resultado com o trabalho manual e registrar o que funcionou.

Esse registro vira prova em avaliações internas e entrevistas. Com 58% dos profissionais já usando IA, apenas citar a ferramenta no currículo diz pouco: o que o recrutador tende a buscar é o número do ganho e a demonstração de que a pessoa sabe julgar o que a máquina entrega.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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