quinta-feira, 15 de outubro de 2026 · Edição diária

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CDS da CoreWeave passa de 1.100 pontos e seguro contra calote da tecnologia bate recorde

O custo de proteção contra inadimplência no setor de tecnologia atingiu máxima histórica nesta quinta-feira (15), puxado pela CoreWeave, que deve quase US$ 50 bilhões e tem 64% de risco de calote em cinco anos implícito no mercado.

Corredor de servidores em um data center usado para processar inteligência artificial
Operadoras de data centers de IA muito endividadas, como a CoreWeave, foram as mais afetadas pela alta do custo do seguro contra calote. Foto: Pexels / Rodolfo Gaion

O preço do seguro contra calote das empresas de tecnologia chegou a recordes históricos nesta quinta-feira (15), segundo a Reuters. Os credit default swaps (CDS), contratos que o investidor compra para se proteger caso uma empresa deixe de pagar suas dívidas, ficaram mais caros justamente nas companhias que mais tomaram dinheiro para construir infraestrutura de inteligência artificial.

A mais exposta é a CoreWeave. De acordo com dados da S&P Global Market Intelligence, o CDS de cinco anos da empresa ultrapassou 1.100 pontos-base. O título da companhia com vencimento em 2031 chegou a render 16% ao ano durante o dia e depois recuou para cerca de 14%.

O risco de calote que o mercado precifica

A CoreWeave é uma operadora de nuvem para IA que ainda dá prejuízo e deve quase US$ 50 bilhões, conforme a LSEG. Com o CDS em 1.000 pontos-base, o mercado embute uma chance de 64% de inadimplência em cinco anos. Um ano antes, esse número era de cerca de 30%.

As ações da empresa caíram 15% na quarta-feira (14) e mais 2% nesta quinta, perdendo quase um quinto do valor em dois dias. No ano, a queda é de 10%. A Nebius, concorrente sem CDS negociado publicamente, acumula alta de cerca de 114% em 2026, o que mostra que o mercado separa os devedores, e não trata todas as empresas de IA do mesmo modo.

Kathleen Brooks, diretora de pesquisa da XTB, afirmou que a CoreWeave está rapidamente se tornando o canário na mina de carvão do setor de IA, e disse que os títulos da empresa sofreram forte desvalorização.

Oracle e gigantes entram na conta

O movimento não ficou restrito à CoreWeave. O CDS da Oracle se aproximou de 300 pontos-base, com alta de cerca de 31 pontos na semana. Nvidia, STMicroelectronics e SpaceX também tiveram avanço acentuado. Os CDS de Amazon, Alphabet e Meta chegaram a níveis recordes, mas subiram bem menos que os de Oracle e CoreWeave, segundo LSEG e S&P Global.

O dado de inflação dos Estados Unidos, acima do esperado, aumentou a expectativa de alta de juros, o que encarece o financiamento de quem depende de dívida. No início da semana, Hock Tan, presidente-executivo da Broadcom, comparou a corrida dos investidores por tudo ligado à IA a jogos de cassino.

Nem todos veem alarme. Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank, disse que os custos de financiamento da IA não são dramáticos no conjunto, embora existam pontos preocupantes em alguns casos. Ele lembrou que oscilações fortes por receio com a IA já ocorreram antes.

Quem sente primeiro: IPOs e data centers

Segundo a Reuters, um investidor que participou de uma reunião pré-IPO da Anthropic em San Francisco na quarta-feira relatou que a receita da empresa no terceiro trimestre subiu 45%, para US$ 16,8 bilhões, na comparação com o trimestre anterior. A informação não foi confirmada pela companhia. A Anthropic busca avaliação de US$ 2 trilhões, e crédito mais caro para o setor pode pesar na hora de precificar essa abertura de capital.

Para o Brasil, o efeito é indireto, mas concreto: projetos de data centers dependem do mesmo mercado de dívida, e quem planeja captar para esse tipo de obra encontra investidores mais exigentes e juros maiores quando o seguro contra calote dispara.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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