domingo, 18 de outubro de 2026 · Edição diária

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Charles Schwab bloqueia dezenas de vezes por semana agentes de IA como o Muse, da Meta

O CEO Rick Wurster disse à Bloomberg TV que as maiores ferramentas de IA esbarram nos bloqueios da corretora na casa das dezenas por semana. Saldo e pesquisa ficam liberados no plano de conexões seguras; mover dinheiro, não.

Pessoa usa aplicativo bancário no celular ao lado de um ícone de inteligência artificial
Charles Schwab diz bloquear semanalmente tentativas de agentes de IA externos de operar contas de clientes. Foto: Pexels / Tranmautritam

A Charles Schwab bloqueia agentes de inteligência artificial externos que tentam movimentar dinheiro de clientes, incluindo o Muse, da Meta. Quem disse foi Rick Wurster, presidente-executivo da corretora americana, em entrevista à Bloomberg Television na sexta-feira (16), segundo o Olhar Digital.

De acordo com Wurster, as barreiras funcionam como proteção para o cliente e para a própria instituição, sobretudo quando o agente recebe as credenciais da conta. Ele afirmou que a Schwab não consegue controlar por completo o comportamento de uma ferramenta dessas, e que o cliente também pode perder o controle sobre o que ela faz em seu nome.

Dezenas de bloqueios por semana

O executivo contou que recebe relatórios semanais sobre o tema. Os grandes agentes de IA são barrados em contas financeiras na casa das dezenas por semana, em números que ele descreveu como "vinte e poucas" ocorrências, conforme o relato do Olhar Digital. A fala indica que clientes já tentam, na prática, entregar a ferramentas externas o acesso à própria carteira.

Wurster levantou ainda uma dúvida de responsabilidade. Se um usuário passa a senha a um agente, e a ferramenta executa uma operação indevida que causa prejuízo, não está claro quem responde. Para ele, as pessoas se interessam por IA, mas ainda não estão dispostas a ceder o controle total das contas.

Conexões seguras com limite de função

A Schwab não fecha a porta para a tecnologia. A corretora planeja permitir que modelos de linguagem externos se conectem por servidores baseados no Model Context Protocol (MCP). Com esse desenho, a própria Schwab controla a autenticação e define quais dados cada ferramenta pode acessar.

Nesse modelo, um agente externo poderia consultar saldos e fazer pesquisas, mas não poderia mover dinheiro. Enquanto isso não chega, a empresa direciona os clientes para o Charley, seu assistente de IA próprio, apresentado no mês anterior à entrevista.

O movimento não é isolado. Segundo o Olhar Digital, Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan Chase, disse na mesma semana que o banco também não dará a agentes externos acesso irrestrito a informações de contas de clientes. A posição dos dois é parecida: eles não rejeitam o uso da tecnologia pelos consumidores, mas querem mecanismos que limitem o que o agente consulta e o que pode executar.

O que muda para quem investe com agentes

Na prática, o cliente da Schwab que der a senha a um agente de IA para operar a conta vai esbarrar em bloqueio. O acesso de leitura, com saldo e pesquisa, deve chegar primeiro e por canais autorizados pela corretora. A execução de ordens e transferências fica, por ora, dentro do ambiente da casa.

Para as empresas de IA, a mensagem dos bancos é que a porta de entrada será negociada instituição por instituição, com regras próprias de autenticação. Para os brasileiros, o caso mostra como as grandes instituições financeiras tratam a fronteira entre assistente e operador, tema que tende a chegar às instituições locais conforme os agentes ganharem espaço.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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