Margareth Felicia Gono, recém-formada em mestrado de análise aplicada, usou o Claude, assistente de inteligência artificial da Anthropic, para estudar as próprias candidaturas e foi contratada pela DoorDash como senior associate. O caso foi publicado pela Exame em 8 de outubro, a partir de relato do Business Insider.
Ela registrou cada etapa da busca. Ao todo, foram 186 candidaturas, 44 contatos diretos com profissionais, 19 entrevistas, 6 testes práticos e 3 etapas finais até a oferta.
Um painel para tratar a busca como funil
Gono montou um painel para acompanhar as candidaturas e passou a olhar o processo como um conjunto de dados. Em vez de mandar o mesmo currículo para todas as vagas, preparou três versões: uma para análise de dados, outra para vendas e marketing e uma terceira para consultoria. Cada uma foi usada nas vagas da área correspondente.
Para ajustar os textos, ela pediu ao Claude que comparasse a descrição de cada vaga com o currículo. A ferramenta apontava palavras-chave ausentes e lacunas de temas. Segundo a Exame, Gono usou isso como uma versão própria do ATS score, a nota que sistemas de triagem dão aos currículos.
O que a IA fez nas entrevistas
Nas entrevistas gravadas, ela aplicou análise de sentimento para localizar hesitações, vícios de linguagem e os momentos em que o entrevistador demonstrava mais interesse. Também examinou perfis públicos de entrevistadores no LinkedIn em busca de pontos em comum para a conversa.
De acordo com o relato, a IA ainda ajudou a identificar de que tipo de trabalho ela gostava: falar com pessoas, criar materiais bem-feitos do ponto de vista visual e encontrar padrões. Gono disse ao Business Insider que usou o Claude quase como um parceiro.
Quanto custou chegar a uma oferta
Os números mostram o tamanho do esforço. Das 186 candidaturas, 19 viraram entrevista, cerca de 10%, e apenas uma terminou em contratação. Os 44 contatos diretos com profissionais e os 6 testes práticos fazem parte desse caminho, e a oferta só veio depois de três etapas finais.
O texto da Exame é o relato de um caso individual. Ele não traz dados sobre a taxa de sucesso de outros candidatos que adotem o mesmo método, e o resultado de uma pessoa não permite concluir que a ferramenta, sozinha, explique a contratação. O que o caso documenta é uma prática: candidatos com formação em análise de dados já tratam a própria busca como um problema de dados, com medição de cada etapa e ajuste de material a cada vaga.



