A Anthropic anunciou nesta sexta-feira (16) uma pesquisa em que o modelo Claude Mythos 5 desenhou circuitos para computadores quânticos com menos operações do que os projetos de referência, segundo a Exame. Uma versão preliminar do estudo foi publicada no arXiv na quinta-feira (15).
O trabalho foi liderado por Andi Gu, do programa STEM Fellows da empresa, com orientação do físico Alek Kemeny. Susanne Yelin e Mikhail Lukin, de Harvard, colaboraram, e Lukin também tem ligação com a QuEra, companhia de computação quântica. O estudo cobriu oito tarefas de química, otimização, simulação de física e cálculo numérico. Em sete delas, os projetos reduziram o número de operações e de qubits em relação aos circuitos de referência. Na oitava, o modelo aceitou usar mais memória para fazer menos operações.
Como o modelo chegou aos circuitos
Os pesquisadores entregaram ao Claude descrições das tarefas em linguagem comum e um programa que conferia as soluções e calculava o custo de cada uma. O modelo escrevia propostas em Python, recebia o resultado dos testes e refazia o projeto. A nota era o produto entre o número de qubits e o de portas Toffoli, e um avaliador separado checava as propostas.
A autonomia teve limites. Os pesquisadores definiram as tarefas e as condições da busca e, às vezes, mandaram o modelo tentar abordagens diferentes quando ele ficava preso em soluções já conhecidas. Os circuitos podem ser testados de forma eficiente em computadores convencionais, o que permitiu a validação sem hardware quântico.
Os dois resultados de maior peso
O primeiro envolve operações com curvas elípticas, cuja etapa mais cara é a inversão modular. O modelo achou um jeito de reconstruir o histórico intermediário a partir dos valores presentes no próprio cálculo, o que reduziu o armazenamento necessário. A busca durou 53 horas, com pouca participação humana. A validação usou simulações numéricas e a formalização de uma afirmação matemática na linguagem Lean. Um dos circuitos gastou 17 vezes menos operações que o menor projeto anterior, com 12% mais qubits.
O segundo é um decodificador para o DQI (decoded quantum interferometry), algoritmo de otimização. O Claude trocou o método matemático que organizava essa etapa e mudou a forma de recuperar informações temporárias. O número de operações caiu cerca de 12 vezes em relação à construção anterior citada pelos autores. Em 403 milhões de decodificações simuladas, o projeto guardou apenas um valor excepcional e usou 19 qubits, contra 665 exigidos por uma reserva para o pior caso. O desenho aceita uma taxa de falha de cerca de uma em 10 mil execuções, dentro da tolerância da tarefa.
O que a pesquisa não demonstra
A Anthropic não apresentou um novo processador nem mostrou que computadores quânticos atuais conseguem rodar aplicações comerciais com essa eficiência. Segundo a Exame, o ganho de 17 vezes reflete uma troca entre memória e trabalho computacional, e não uma aceleração de 17 vezes em qualquer máquina quântica. Correção de erros, controle de qubits e integração de componentes continuam como problemas em aberto, e o estudo não indica data para uso prático.
Onde a pesquisa encontra o IPO da Anthropic
O anúncio chega no momento em que a empresa se prepara para abrir capital. Segundo a Reuters, citada pela Exame, alguns investidores discutiram uma avaliação de US$ 1,5 trilhão no IPO, abaixo da expectativa anterior de cerca de US$ 2 trilhões. Os números dizem respeito à oferta e não indicam perda de mercado. A receita do terceiro trimestre foi de US$ 16,8 bilhões, contra US$ 11,6 bilhões no segundo, alta de cerca de 45%, ritmo menor que o salto de aproximadamente 147% entre o primeiro e o segundo trimestres. A Anthropic não respondeu aos pedidos de comentário da agência.



