A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou em outubro de 2026 a estimativa de crescimento do volume do comércio global de mercadorias neste ano, de 1,9% para 3,9%, segundo artigo publicado nesta segunda-feira (19) na CNN Infra. O texto é de Luiz Policarpo, fundador e CEO da Einship, e é um artigo de opinião: a CNN Brasil informa que o espaço não reflete necessariamente a posição do veículo.
De acordo com os dados que Policarpo cita, bens associados à inteligência artificial responderam por 47% do crescimento do comércio mundial de mercadorias em valor no primeiro semestre. As transações desses produtos avançaram 67% em relação ao mesmo período do ano anterior. A OMC atribui a resiliência do comércio em 2026 à capacidade das cadeias globais de se adaptar às interrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio, segundo o autor.
O que a IA exige de portos, rodovias e ferrovias
O argumento central do artigo é que a IA muda a demanda por mercadorias e reorganiza cadeias de suprimento, mas continua dependente de estrutura física. Processadores, servidores e data centers precisam ser fabricados, transportados, armazenados e desembaraçados na alfândega antes de qualquer serviço digital funcionar.
Policarpo afirma que o Brasil é forte como fornecedor de commodities agrícolas e minerais, mas precisa se aproximar de cadeias de maior intensidade tecnológica. Segundo ele, isso não passa por disputar espaço com os grandes fabricantes asiáticos de semicondutores. O ponto é ter terminais adequados, ligação com rodovias e ferrovias, eficiência aduaneira e previsibilidade para quem importa e exporta.
O gargalo está nos dados, não só no asfalto
Um dos principais problemas apontados é a fragmentação de informações. Importadores, exportadores, transportadoras, terminais, agentes de carga e operadores logísticos usam sistemas que não se comunicam, o que dificulta antecipar atrasos e comparar alternativas de transporte.
O autor defende que a análise preditiva com IA pode tirar a gestão logística do modo reativo. Em vez de reagir a um problema depois que ele aparece, a empresa passaria a estimar riscos de atraso e apoiar decisões sobre rotas, fornecedores e custos. Ele também afirma que o menor frete nem sempre é a opção mais barata no fim, porque a previsibilidade pode pesar tanto quanto o preço.
Policarpo escreve que um sistema portuário competitivo não é apenas o que movimenta grandes volumes. Na avaliação dele, o país precisa de uma infraestrutura que também dê previsibilidade e integre informação ao longo da cadeia.
Quem precisa investir primeiro
A consequência prática, na leitura do autor, recai sobre o investimento: além de terminais e vias, entram conectividade, integração de dados e digitalização. Para exportadores e importadores, isso significa cobrar de operadores e terminais sistemas que conversem entre si, e não apenas tarifa menor.
Vale registrar os limites da fonte. Os números da OMC aparecem no artigo sem link para o relatório original, e as propostas refletem a visão de um empresário do setor de logística, não uma análise do governo ou da própria OMC.



