O Conselho de Supervisão da Meta apontou nesta terça-feira (20) falhas "recorrentes" na aplicação das regras da empresa para proteger a integridade eleitoral, segundo o Metrópoles. O órgão citou restrições técnicas que atingiram contas do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deram origem a acusações de interferência. O comunicado é fato novo em relação à ordem do TSE, que já havia mandado a Meta provar tratamento igual a Lula e a Flávio Bolsonaro (PL).
O conselho afirmou que a Meta precisa se empenhar mais para que suas práticas de moderação sejam transparentes e consistentes durante períodos eleitorais. Para sustentar o argumento, mencionou também a remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos Estados Unidos, antes das eleições legislativas de meio de mandato daquele país.
O que o conselho encontrou nas contas da campanha de Lula
De acordo com o Metrópoles, o órgão identificou falhas na aplicação de restrições às contas de anúncios da campanha de Lula. As limitações tinham natureza técnica, mas alimentaram a acusação de que a plataforma interferia na disputa. A reportagem não informa quantas contas, anúncios ou usuários foram afetados.
A campanha petista também fez testes com a ferramenta de IA da empresa. Segundo o texto, a Meta AI se recusou a gerar imagens de Lula, mas produziu imagens favoráveis a Flávio Bolsonaro. Esse resultado integra as acusações que levaram o caso ao TSE.
A resposta da Meta ao tribunal
A Meta nega ter favorecido qualquer candidato e atribui os problemas a falhas técnicas. A empresa afirmou que reforçou os filtros para bloquear a geração de imagens dos dois candidatos, o que, na versão dela, elimina a diferença de tratamento apontada nos testes.
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, havia determinado que a Meta comprovasse em 24 horas que trata as duas campanhas de maneira igual. A empresa protocolou a resposta no mesmo dia em que o conselho divulgou o comunicado. No documento, a Meta sustenta que os conteúdos relativos às duas candidaturas recebem tratamento igual e não discriminatório.
Quem decide se a resposta basta
O comunicado do conselho e a manifestação da Meta ao TSE chegam por caminhos distintos e podem apontar em direções diferentes. O conselho, órgão da própria Meta, reconhece falhas recorrentes e cobra transparência. A empresa, perante o tribunal, afirma que não há discriminação entre os candidatos.
Quem avalia se o documento entregue é suficiente é o TSE, e a decisão cabe a Bellizze. Com a campanha na reta final do segundo turno, o que o tribunal concluir sobre o tratamento dado às contas de Lula e à ferramenta de IA define se a Meta terá de ajustar suas regras antes da votação ou apenas explicar o que já fez.



