A CoreWeave, maior provedora independente de infraestrutura de computação para inteligência artificial, viu o valor atribuído pelo mercado cair de perto de US$ 90 bilhões para US$ 34 bilhões em poucos meses, segundo reportagem do NeoFeed publicada em 20 de outubro de 2026. A empresa, que abriu capital na Nasdaq em março de 2025, carrega hoje uma dívida de US$ 50 bilhões. Só na semana anterior à publicação da reportagem, as ações perderam 20% do valor.
Um segundo sinal veio da Coreia do Sul. A Elice captou US$ 151 milhões em seu IPO, com demanda cerca de 400 vezes maior que a oferta disponível, e ainda assim viu as ações caírem 32% no primeiro dia de negociação na Korea Exchange, nesta terça-feira, 20 de outubro.
Os dois casos ilustram a virada de humor com as chamadas neoclouds, empresas que alugam capacidade de processamento dedicada a inteligência artificial e que, até poucos meses atrás, captavam recursos sem resistência dos investidores.
A consultoria Gartner chegou a uma conclusão parecida em relatório divulgado em 14 de outubro: mais de 80% dos provedores de neocloud devem deixar de operar de forma independente até 2030. O motivo, segundo a consultoria, é que o crescimento da receita com infraestrutura de nuvem otimizada para IA não será suficiente para cobrir os investimentos feitos antes que os chips atuais fiquem obsoletos.
Os IPOs que travaram depois da CoreWeave
Pelo menos três outras ofertas de ações ficaram pelo caminho, de acordo com o NeoFeed. A Firmus, da Austrália, pretendia abrir capital em uma operação estimada em até US$ 5,5 bilhões e migrou para uma rodada privada. A britânica Nscale buscava avaliação de US$ 30 bilhões, mas investidores sinalizaram disposição para pagar entre US$ 16 bilhões e US$ 19 bilhões. Já a SB Energy, ligada ao grupo japonês SoftBank, pausou as negociações para abrir capital.
Fluxo de caixa vira critério para aprovar uma neocloud
Para Hebe Chen, analista sênior da corretora Vantage Global, o apetite por qualquer ação ligada a data centers de inteligência artificial chegou ao fim.
Leonid Mironov, gestor da Gavekal Capital, afirmou que o critério dos investidores mudou: agora, o que conta é o fluxo de caixa. A fala ajuda a explicar por que ofertas como as da Nscale, da Firmus e da SB Energy perderam força antes mesmo de chegar à bolsa de valores.
Quem paga a conta da freada
Quem perde dinheiro, por ora, são os investidores que compraram ações da CoreWeave perto do pico de US$ 90 bilhões e viram o valor encolher para menos da metade. As próprias neoclouds enfrentam um custo de capital mais alto justamente quando precisam financiar novos data centers, o que pode atrasar a expansão da capacidade de computação vendida a clientes de inteligência artificial. Companhias que preferiram esperar, como Nscale, Firmus e SB Energy, ganham tempo para mostrar receita antes de se expor ao mercado aberto, mas também convivem com avaliações mais baixas do que esperavam há poucos meses.



