terça-feira, 20 de outubro de 2026 · Edição diária

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CoreWeave paga até 15% ao ano em juros e vê ações caírem 16% em um dia

A CoreWeave, que aluga poder de computação a empresas de IA, viu os juros de seus títulos chegarem a 15% ao ano e as ações despencarem 16% em um único dia, segundo a CNN Brasil.

Corredor de servidores em um data center
A CoreWeave aluga capacidade de computação para empresas de inteligência artificial e financia a expansão com dívida. Foto: Pexels / Malcoln Oliveira

A CoreWeave, empresa americana que aluga capacidade computacional a outras companhias de inteligência artificial, opera em prejuízo e ficou mais cara de financiar. De acordo com reportagem da CNN Brasil publicada nesta terça-feira (20), os juros de seus títulos de dívida chegaram a 15% ao ano e as ações caíram 16% em um único dia.

A análise foi feita no quadro Prompt CNN, do programa Fechamento de Mercado, com o neurocientista e especialista em IA Álvaro Machado Dias. Segundo ele, a expectativa era de que a CoreWeave equilibrasse as contas em alguns anos, e essa perspectiva agora está sendo questionada.

Um negócio que depende de poucos clientes

A CoreWeave faz parte do grupo de empresas que constroem e operam data centers para alugar a quem treina e executa modelos de IA. O modelo exige comprar grandes volumes de chips e equipamentos antes de a receita chegar, e o dinheiro para isso vem de dívida.

Machado Dias afirmou que essas empresas dependem hoje de poucos clientes. Quando a base de contratos é pequena, a saída de um comprador ou a renegociação de um preço pesa mais no caixa, e os credores passam a cobrar mais caro para emprestar. Os 15% ao ano citados na reportagem são essa cobrança.

Outro ponto levantado por ele é o envelhecimento dos equipamentos. Chips perdem valor com o tempo e precisam ser trocados, o que obriga a empresa a assumir novos ciclos de endividamento para manter a capacidade que aluga.

Fundos vendem dívida abaixo do valor de face

De acordo com a CNN Brasil, fundos estariam vendendo dívidas dessas empresas por menos do que o valor de face. Para o entrevistado, quem faz isso aceita perder dinheiro para ter mais segurança. A leitura dele é que o risco se concentra em quem está na base da estrutura que sustenta a IA.

Ele descreveu o setor como uma pirâmide, na qual quem está embaixo recebe cada vez menos. O barateamento dos tokens, unidade de uso dos modelos, entra nessa conta: segundo a reportagem, ele foi impulsionado em parte pela concorrência chinesa, com destaque para a DeepSeek. Preço menor para o usuário final pressiona a receita de quem aluga a infraestrutura.

A reportagem também registra uma diferença de estratégia entre os agentes. A Anthropic aluga infraestrutura em vez de comprá-la ou assumir dívidas diretamente, o que deixa o risco com os fundos que investem em data centers como os da CoreWeave. Modelos de fronteira como os da Anthropic e da OpenAI foram citados como exemplos de onde há espaço para esse tipo de aposta.

O que a queda muda para investidores e empresas

Para o investidor, o episódio reacendeu a discussão sobre bolha na IA, que circulou cerca de um ano antes e voltou a ganhar força, segundo a CNN Brasil. A CNN também lista como matérias relacionadas as declarações do CEO da Nvidia de que não precisará resgatar a CoreWeave e a queda das ações como alerta sobre o endividamento do setor.

Para as empresas que contratam capacidade de computação, inclusive no Brasil, o ponto prático é a solidez de quem entrega o serviço. Um fornecedor que paga 15% ao ano para se financiar tem menos margem para absorver queda de preço ou perda de contrato. Os dados da reportagem não indicam risco imediato de calote, e a CoreWeave continua alugando sua capacidade.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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