Construir e equipar um data center de inteligência artificial de 1 gigawatt (GW) em Abilene, no Texas, custa cerca de US$ 30 bilhões, de acordo com estimativa da Bloomberg publicada pela Exame neste sábado (17). O número é um cenário de desenvolvimento, não um valor já gasto, e usa a ponta mais alta das projeções disponíveis.
A conta combina duas fontes. As estimativas da Cushman & Wakefield (C&W) cobrem a estrutura física, e os cálculos da Bloomberg Intelligence cobrem os equipamentos.
Onde vão os US$ 30 bilhões
Chips e servidores formam a maior parcela, com US$ 17,1 bilhões. A infraestrutura elétrica vem em seguida, com US$ 3 bilhões, e a refrigeração soma US$ 1,66 bilhão. Há ainda uma reserva de contingência de US$ 2,79 bilhões para imprevistos e aumento de custos.
Esses itens somam cerca de US$ 24,55 bilhões. A reportagem não detalha os aproximadamente US$ 5,4 bilhões restantes para chegar aos US$ 30 bilhões.
Ou seja, mais da metade do total vai para o hardware que roda os modelos, e não para o prédio, a energia ou o resfriamento. Quem planeja uma instalação desse porte compra, antes de tudo, processadores.
Obra mais cara e terreno com energia disparado
Um relatório da C&W divulgado em setembro mostra que o custo de construção por megawatt subiu cerca de 21%, em média, desde a edição anterior, do quarto trimestre de 2024. O levantamento cobre Estados Unidos e Canadá. O custo médio de desenvolvimento de instalações modernas feitas do zero é de US$ 17,6 milhões por megawatt, sem contar chips e GPUs.
A Exame adverte que esse valor não é comparável ao de Abilene e não deve ser somado a ele. A infraestrutura elétrica representa, em média, 21% do custo de desenvolvimento.
O preço de terrenos com energia disponível nos principais mercados americanos subiu 51% em 2026 até a data do relatório. A C&W atribui a alta a restrições na cadeia de suprimentos, a salários de mão de obra qualificada e a componentes mais caros.
O volume global de projetos mapeados pela consultoria chega a cerca de US$ 2,3 trilhões. Desse total, US$ 492 bilhões estão em obras, e cerca de US$ 1,8 trilhão está planejado com compromissos prévios.
A demanda de energia e o gargalo brasileiro
A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo de eletricidade dos data centers no mundo suba de 485 TWh em 2025 para cerca de 950 TWh em 2030. A agência observa que gargalos na cadeia de fornecimento podem limitar uma expansão mais rápida no curto prazo.
A fabricante brasileira WEG anunciou US$ 165 milhões para ampliar a produção de geradores na América do Norte, com operação da primeira fase prevista para o segundo trimestre de 2027.
No Brasil, o principal obstáculo à expansão do setor é a infraestrutura elétrica, segundo Bruno Porto, gerente de Industrial, Logística e Data Center da JLL, citado pela Exame. Ele aponta a complexidade das aprovações e as obras exigidas para levar energia até os terrenos.
O que a conta indica para quem quer atrair projetos
Com a parcela dos chips tão alta, o custo de um projeto depende menos do país onde a obra é feita e mais do acesso a processadores. A energia, porém, decide onde o investimento pode ser instalado: terreno sem ligação à rede perde valor para quem precisa operar em escala de gigawatt.
Para o Brasil, isso põe a velocidade das aprovações elétricas no centro da disputa por esses aportes. Os números da C&W mostram que, nos Estados Unidos, o mesmo gargalo já encarece o terreno em 51% no ano.



