A Exame publicou nesta quarta-feira (14) uma reportagem sobre o De-AIing, termo usado para o trabalho de revisar e humanizar materiais produzidos com inteligência artificial. Segundo a publicação, a demanda por textos mais naturais abre espaço para um serviço de edição voltado a empresas, agências, autônomos e produtores de conteúdo.
O ponto de partida é um defeito comum. De acordo com a Exame, textos gerados por IA muitas vezes não têm erros evidentes, mas trazem frases previsíveis, transições repetidas e exemplos genéricos, que servem para qualquer situação e, por isso, não dizem nada sobre quem assina.
O que o editor faz na prática
A matéria descreve o trabalho como mais amplo do que trocar palavras. Inclui reorganizar argumentos, substituir expressões genéricas, variar a construção das frases, conferir informações e recuperar a voz do autor ou da marca.
Há também uma regra de conduta: ao encontrar lacunas de informação, o editor deve apontá-las, e não preenchê-las com afirmações inventadas. Na prática, o profissional atua como checagem e como estilo ao mesmo tempo.
Os serviços citados são revisão de artigos, adaptação de um mesmo conteúdo para diferentes canais, padronização de tom de voz e criação de diretrizes editoriais. A cobrança pode ser por texto, por projeto ou por contrato recorrente. Redatores, jornalistas, editores e profissionais de marketing aparecem como os mais bem posicionados para a atividade.
Detector de IA não serve de prova
A reportagem faz um alerta sobre o uso de detectores. A OpenAI retirou do ar, em julho de 2023, seu classificador de textos por baixa precisão, e a Exame afirma que um resultado favorável em detector não comprova autoria humana, assim como uma sinalização não prova uso de IA.
Por isso, segundo a publicação, editar um texto apenas para mudar a classificação de um detector pode piorar a qualidade sem resolver o problema do cliente. O critério que sustenta o serviço, de acordo com a matéria, é clareza, precisão, consistência e adequação ao público.
Como entrar no mercado
Para quem quer oferecer o serviço, a Exame recomenda construir repertório editorial, aprender a avaliar textos gerados por IA e montar um portfólio com exemplos de antes e depois. A reportagem não traz estimativas de tamanho de mercado nem faixas de preço, e esses números não foram apresentados.
Para o contratante, a consequência prática é decidir quem responde pelo texto final. Quando a empresa publica conteúdo feito com IA sem revisão, o risco é entregar material genérico ou com informação não conferida. Quando contrata um editor, paga por uma etapa que, segundo a Exame, depende de critério humano e não de ferramenta automática.



