O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou neste sábado (17) que o presidente Lula buscará o confronto direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL) no debate da Band, marcado para a noite deste domingo (18). Edinho coordena a campanha de Lula à reeleição e deu as declarações em entrevista coletiva, segundo a Gazeta do Povo.
Lula passou o sábado no Palácio da Alvorada, em Brasília, se preparando para o encontro. A preparação é coordenada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Um segundo debate já está no calendário: o da TV Globo, na sexta-feira (23), do qual Lula também participará.
A orientação para o debate
De acordo com Edinho, a campanha quer colocar os dois projetos frente a frente para que o eleitor saiba o que Flávio representa. O dirigente acusou o adversário de mentir e criticou votos do senador no Legislativo, que, na avaliação dele, favoreceriam a criminalidade.
A orientação a Lula, segundo a reportagem, é se apresentar como candidato propositivo. O foco será falar das propostas da campanha e dos possíveis efeitos das medidas de contenção de gastos defendidas por Flávio, além de comparar o atual governo com o de Jair Bolsonaro.
Entre as propostas que a campanha pretende levar ao debate estão o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), o Pé-de-Meia Universitários, agora voltado a estudantes de universidades públicas, e o passe livre no transporte público aos fins de semana.
Segurança: Lula muda de posição
O tema da segurança ganhou espaço na fala de Edinho. Ele defendeu penas mais duras para crimes hediondos e disse que Lula passou a apoiar que jovens a partir de 16 anos respondam como adultos nesses casos. A Gazeta do Povo descreve a mudança como uma guinada em assunto tratado como tabu pelo PT e pela esquerda.
Edinho também mencionou a possibilidade de ampliar a responsabilização em casos de roubo, mas afirmou que a prioridade é aprovar a PEC da Segurança Pública. Se Lula for reeleito e a PEC passar, disse ele, será criado o Ministério da Segurança Pública.
O que fica para depois da eleição
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou na sexta-feira (16) que o governo trabalha para votar a PEC sem incluir a redução da maioridade penal, por falta de consenso. A previsão é de votação no Senado na próxima semana. Lula quer tratar a maioridade penal em proposta separada, depois das eleições.
Na prática, a posição de Lula sobre os 16 anos fica como compromisso de campanha, sem texto legislativo previsto antes do segundo turno. O eleitor chega ao debate de domingo e ao da Globo, cinco dias depois, com a PEC da Segurança como único projeto de segurança em tramitação no Senado.



