A Decade, fintech brasileira de consultoria de investimentos com inteligência artificial, analisou mais de R$ 10 bilhões em carteiras nas duas primeiras semanas após o lançamento e concluiu que 78% dos clientes tinham ao menos um investimento fora de seus critérios, informou a Exame nesta quarta-feira (21). A empresa também anunciou Rodrigo Guedes Xavier, ex-comandante do UBS Pactual no Brasil, para seu conselho consultivo de investimentos.
A startup foi fundada por Vitor Olivier, ex-CTO do Nubank, e por Felipe Meneses, criador da Hyperplane, empresa de IA que o banco digital comprou. Levantou US$ 85 milhões em rodada seed com os fundos Greenoaks e Benchmark.
Como a Decade filtra os fundos
Segundo a Exame, a plataforma usa IA para personalizar recomendações de acordo com a situação financeira e os objetivos de cada cliente. Cada produto é avaliado por cinco critérios: custos, eficiência fiscal, risco, retorno e adequação ao patrimônio do investidor.
O funil é estreito. Dos 7.005 fundos avaliados, 2.295 passaram sem nenhuma sinalização, e apenas 74 chegaram à lista final de recomendações da empresa. Ou seja, cerca de 1% do universo analisado foi aprovado para indicação.
Os números vêm da própria Decade e se referem a um período curto, de duas semanas. A reportagem não detalha quantos clientes compõem a amostra nem qual o valor médio por carteira, o que limita a comparação com a base de investidores do país.
O que Rodrigo Guedes Xavier traz ao conselho
Guedes Xavier tem mais de 30 anos no mercado financeiro. Comandou o UBS Pactual e o Bank of America Merrill Lynch no Brasil, foi sócio e integrante do comitê executivo do Banco Pactual (hoje BTG Pactual) e cofundou a Vinci Partners. Durante uma passagem por Stanford, criou o Brazil@Silicon Valley.
No conselho, ele vai apoiar a construção das recomendações de investimento combinando IA e critérios de profissionais do mercado. Guedes Xavier afirmou, segundo a Exame, que a aproximação com a tecnologia o fez ver novas possibilidades de transformar a maneira como se investe. Olivier disse que ele passou décadas entendendo como o mercado financeiro funciona.
Quem sente a pressão do modelo
A reprovação de fundos em carteiras já formadas mexe diretamente com gestoras e bancos que distribuem produtos próprios a seus clientes. Se uma plataforma independente aponta custo alto ou ineficiência fiscal em um fundo, o investidor passa a ter um argumento objetivo para trocar de produto ou renegociar taxas.
Para o investidor de varejo, o efeito prático depende de a Decade manter, em escala maior, a mesma taxa de reprovação e de explicar cada sinalização. Por ora, o único dado público é o das duas semanas iniciais, divulgado pela própria empresa.



