terça-feira, 20 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

DeepSeek ajuda Huawei a desenhar chips e marca fim de 2026 para treinar sem a Nvidia

Engenheiros da DeepSeek passaram a atuar dentro da Huawei para ajustar softwares como o DeepEP-Ascend, e a startup chinesa planeja treinar modelos com o chip Ascend 950DT já no fim de 2026, segundo a Exame.

Chip de inteligência artificial em uma placa de circuito
Huawei e DeepSeek desenvolvem softwares para reduzir a dependência de chips da Nvidia no treinamento de IA. Foto: Pexels

A DeepSeek passou a participar diretamente do desenvolvimento de chips de inteligência artificial da Huawei, com engenheiros da startup chinesa trabalhando dentro dos escritórios da fabricante para ajustar cálculos e a troca de dados entre processadores. A informação foi publicada pela Exame nesta segunda-feira, 19 de outubro, com base em reportagem do site americano The Information.

Segundo a publicação, a parceria nasce de um obstáculo concreto para a Huawei: treinar modelos de IA em grande escala exige poder de processamento e comunicação rápida entre milhares de chips interligados. Essa segunda etapa é um dos pontos em que a fabricante chinesa ainda busca se equiparar à Nvidia.

O movimento ocorre em um momento em que a Huawei enfrenta restrições dos Estados Unidos que limitam o acesso de empresas chinesas a chips avançados da Nvidia, o que ampliou o interesse de Pequim em soluções próprias para treinar inteligência artificial.

Três softwares para tirar a Nvidia da equação

A colaboração já resultou em três ferramentas apresentadas pela Exame. O DeepGEMM-Ascend cuida dos cálculos matemáticos usados pelos modelos de IA. O DeepEP-Ascend organiza a comunicação entre processadores, com recursos tanto para o treinamento quanto para a etapa de gerar respostas, chamada de inferência. Já o TileLang facilita a escrita de código para diferentes tipos de processador, mas a reportagem afirma que a ferramenta não substitui a CUDA, plataforma da Nvidia usada pela maior parte do software de IA do mundo.

O DeepGEMM-Ascend passou por validação na família de chips Ascend 950 em 30 de setembro. O DeepEP-Ascend, por sua vez, foi testado em uma configuração experimental ajustada manualmente pelos próprios engenheiros, segundo a Exame, o que significa que os resultados obtidos em testes isolados de cada ferramenta ainda não comprovam o desempenho do conjunto em um treinamento completo de modelo.

O prazo que a DeepSeek deu a si mesma

A DeepSeek pretende começar a usar o chip Ascend 950DT para treinamento já no fim de 2026, de acordo com a reportagem. O prazo reforça o objetivo declarado da parceria: reduzir a dependência de processadores da Nvidia no treinamento de novas inteligências artificiais.

O que falta para a Huawei alcançar a Nvidia

A própria Exame inclui uma ressalva que limita o alcance do anúncio: os avanços mostrados até agora representam alternativas à Nvidia, não uma substituição completa. Testes de componentes isolados, como os do DeepEP-Ascend, não equivalem a rodar um modelo de ponta a ponta na mesma escala das operações das maiores empresas de IA.

Se a DeepSeek conseguir treinar em escala real com o Ascend 950DT até dezembro, a Huawei ganha a prova que faltava para oferecer um caminho fora do controle da Nvidia a outras empresas chinesas de inteligência artificial. Se o prazo não for cumprido ou o desempenho ficar abaixo dos chips americanos, a dependência das companhias chinesas da Nvidia tende a continuar, mesmo com o investimento já feito em softwares como o DeepGEMM-Ascend e o DeepEP-Ascend.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.