A DeepSeek passou a participar diretamente do desenvolvimento de chips de inteligência artificial da Huawei, com engenheiros da startup chinesa trabalhando dentro dos escritórios da fabricante para ajustar cálculos e a troca de dados entre processadores. A informação foi publicada pela Exame nesta segunda-feira, 19 de outubro, com base em reportagem do site americano The Information.
Segundo a publicação, a parceria nasce de um obstáculo concreto para a Huawei: treinar modelos de IA em grande escala exige poder de processamento e comunicação rápida entre milhares de chips interligados. Essa segunda etapa é um dos pontos em que a fabricante chinesa ainda busca se equiparar à Nvidia.
O movimento ocorre em um momento em que a Huawei enfrenta restrições dos Estados Unidos que limitam o acesso de empresas chinesas a chips avançados da Nvidia, o que ampliou o interesse de Pequim em soluções próprias para treinar inteligência artificial.
Três softwares para tirar a Nvidia da equação
A colaboração já resultou em três ferramentas apresentadas pela Exame. O DeepGEMM-Ascend cuida dos cálculos matemáticos usados pelos modelos de IA. O DeepEP-Ascend organiza a comunicação entre processadores, com recursos tanto para o treinamento quanto para a etapa de gerar respostas, chamada de inferência. Já o TileLang facilita a escrita de código para diferentes tipos de processador, mas a reportagem afirma que a ferramenta não substitui a CUDA, plataforma da Nvidia usada pela maior parte do software de IA do mundo.
O DeepGEMM-Ascend passou por validação na família de chips Ascend 950 em 30 de setembro. O DeepEP-Ascend, por sua vez, foi testado em uma configuração experimental ajustada manualmente pelos próprios engenheiros, segundo a Exame, o que significa que os resultados obtidos em testes isolados de cada ferramenta ainda não comprovam o desempenho do conjunto em um treinamento completo de modelo.
O prazo que a DeepSeek deu a si mesma
A DeepSeek pretende começar a usar o chip Ascend 950DT para treinamento já no fim de 2026, de acordo com a reportagem. O prazo reforça o objetivo declarado da parceria: reduzir a dependência de processadores da Nvidia no treinamento de novas inteligências artificiais.
O que falta para a Huawei alcançar a Nvidia
A própria Exame inclui uma ressalva que limita o alcance do anúncio: os avanços mostrados até agora representam alternativas à Nvidia, não uma substituição completa. Testes de componentes isolados, como os do DeepEP-Ascend, não equivalem a rodar um modelo de ponta a ponta na mesma escala das operações das maiores empresas de IA.
Se a DeepSeek conseguir treinar em escala real com o Ascend 950DT até dezembro, a Huawei ganha a prova que faltava para oferecer um caminho fora do controle da Nvidia a outras empresas chinesas de inteligência artificial. Se o prazo não for cumprido ou o desempenho ficar abaixo dos chips americanos, a dependência das companhias chinesas da Nvidia tende a continuar, mesmo com o investimento já feito em softwares como o DeepGEMM-Ascend e o DeepEP-Ascend.



