domingo, 18 de outubro de 2026 · Edição diária

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doc9 diz que IA corta 70% do tempo de petições e mira R$ 100 milhões em receita em 2027

A lawtech gaúcha afirma que sua plataforma Iuria.doc9 reduziu em 70% o tempo de redação de documentos. A empresa projeta R$ 75 milhões em 2026 e mais de R$ 100 milhões em 2027.

Advogado trabalhando em computador em escritório de advocacia
A doc9 desenvolve uma plataforma de IA para automatizar a rotina de escritórios de advocacia, com foco inicial nas maiores bancas do país. Foto: Pexels / Pavel Danilyuk

A doc9, lawtech de Porto Alegre, afirma que sua nova plataforma de inteligência artificial, a Iuria.doc9, reduziu em 70% o tempo de redação de documentos jurídicos entre os usuários, segundo reportagem da Exame publicada neste domingo (18). O número é da própria empresa e não foi auditado de forma independente. A companhia projeta crescer 70% em 2026, com receita de R$ 75 milhões, e passar de R$ 100 milhões em 2027.

A empresa nasceu prestando serviços de campo a escritórios de advocacia: cópias, audiências e diligências em fóruns. Chegou a cerca de 180 funcionários em Porto Alegre. Com a pandemia, os tribunais fecharam e a receita caiu para perto de zero, o que levou a doc9 a construir produtos digitais.

Da logística de fórum à plataforma de IA

Um desses produtos foi a Whom.doc9, plataforma de gestão de certificados digitais e de acesso a sistemas judiciais e administrativos. De acordo com a Exame, ela tem mais de 2.200 clientes e mais de 100 mil usuários. Dentro da doc9 também surgiu a JusCash, fintech que antecipa créditos judiciais e custas processuais. A JusCash foi separada da empresa e depois reincorporada.

A Iuria.doc9 é a aposta mais recente. Ela reúne pesquisa de jurisprudência, redação de documentos, análise de casos e automação de tarefas. A empresa diz que a ferramenta é ajustada aos modelos e fluxos de cada cliente, e não funciona como um assistente genérico. O CEO, Klaus Riffel, advogado com passagem por uma grande instituição financeira, afirmou que cada escritório tem seu próprio tom de voz nas petições e nos documentos.

O foco inicial são as grandes bancas. A doc9 diz ter dois clientes de grande porte usando a plataforma e conversas em andamento com outros três escritórios do topo do mercado. Além dos 70% de redução no tempo de redação, a empresa cita queda de 81% no processamento de fraude e risco e de 60% na limpeza e classificação de bases de dados. Todos os números são informados pela própria doc9.

As aquisições que sustentam a meta

A projeção de receita depende também de compras. A doc9 adquiriu a Paim, empresa de logística jurídica sediada em Aracaju (SE), e incorporou a BL&A Logística Jurídica. A Paim traz 26 funcionários e deve elevar em 11 mil a cobertura mensal de audiências, com mais de R$ 650 mil em receita mensal adicional, segundo a empresa.

A estratégia é ampliar a presença nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e vender vários produtos ao mesmo cliente. A doc9 afirma que perdeu menos de 3% dos clientes nas integrações recentes e que a satisfação subiu mais de 20%. A reportagem traz uma inconsistência: um trecho indica que a meta de 2027 não inclui novas aquisições, outro sugere que o plano pode contar com elas.

O que está em jogo para os escritórios

Para as bancas, a promessa é fazer mais processos com a mesma equipe. Riffel estima que os escritórios parceiros poderiam processar mais de 2 milhões de casos pela plataforma. O executivo disse estar animado com as oportunidades que podem surgir em 2027.

Os ganhos de produtividade citados ainda dependem de validação em escala, já que a base de usuários da Iuria é de dois clientes grandes. O teste de 2027 será a conversão das três negociações em contratos e a capacidade de integrar as aquisições sem perder clientes, condições das quais depende a meta de R$ 100 milhões.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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