O Dubai International Financial Centre (DIFC) confirmou a construção de uma torre de cerca de 9,3 mil metros quadrados reservada a empresas de inteligência artificial, dentro da expansão do plano diretor do distrito financeiro do emirado, segundo reportagem da Exame. O porta-voz do DIFC, Saleh Al Akrabi, descreveu o espaço como uma estrutura de aproximadamente 100 mil pés quadrados destinada a companhias do setor.
A nova torre se soma ao Dubai AI Campus, hub que já reúne mais de 200 empresas e tem a meta de atrair 500 startups de inteligência artificial e Web3 até 2028, com a criação de mais de 3 mil empregos no mesmo prazo. Segundo a Exame, o plano também prevê a formação de mais de 10 mil profissionais na área até 2030.
Quanto o emirado promete investir
O projeto mira a captação de mais de US$ 300 milhões em fundos coletivos destinados ao setor de inteligência artificial, de acordo com a reportagem. Já a expansão do plano diretor do DIFC como um todo deve exigir cerca de 100 bilhões de dirhams, equivalentes a aproximadamente R$ 44 bilhões pela conversão feita pela publicação, com investimentos previstos até 2040.
Esses números fazem parte da Dubai Economic Agenda D33, lançada em 2023 pelo xeique Mohammed bin Rashid Al Maktoum, que fixou a meta de dobrar o tamanho da economia de Dubai até 2033 e gerar 32 trilhões de dirhams em atividade econômica acumulada ao longo da década, segundo a Exame.
A base que sustenta a meta
Hoje, 315 entidades já estão registradas sob a licença de IA de Dubai, e o DIFC Innovation Hub soma 1.933 empresas no primeiro semestre de 2026, de acordo com dados citados pela reportagem. O CEO do Departamento de Economia e Turismo de Dubai, Issam Kazim, e o CEO do DIFC Innovation Hub, Mohammad Alblooshi, aparecem entre os responsáveis citados pelo plano de expansão.
A aposta expõe a tentativa de um emirado conhecido pelo turismo de luxo e pelo mercado imobiliário de se firmar como polo de tecnologia, disputando empresas de IA com centros já consolidados em outras regiões do mundo.
Por que o mercado de escritórios já sente o efeito
A ocupação de escritórios em Dubai atingiu 92,4% no total da cidade, com os imóveis de padrão A superando 96% de ocupação e menos de 5% de vacância nos distritos centrais, segundo a Exame. A nova torre de IA chega, portanto, em um mercado imobiliário já apertado, em que empresas de tecnologia passam a disputar espaço físico com o setor financeiro tradicional que ocupa o DIFC.
Para empresas que avaliam abrir operações de inteligência artificial no Oriente Médio, o efeito prático tende a aparecer no custo de instalação: a escassez de espaço em distritos centrais pressiona o valor dos aluguéis, mesmo com os incentivos e os fundos oferecidos pelo governo de Dubai para atrair o setor.



