terça-feira, 20 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Elice cai 30% na estreia e reacende dúvida sobre quem vai bancar os data centers de IA

A sul-coreana de data centers recuou cerca de 30% sobre o preço da oferta no primeiro pregão, a Firmus Grid desistiu do IPO e o Kospi perdeu 3,73%, enquanto o Brent chegou a US$ 111,04.

Painel de bolsa de valores com cotações em queda
Ações ligadas à inteligência artificial perderam força nesta terça-feira (20), segundo o InfoMoney. Foto: Pexels / Aedrian Salazar

Os futuros das bolsas de Nova York operavam sem direção nesta terça-feira (20), depois que a estreia da sul-coreana Elice, empresa de data centers, reacendeu dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial, segundo o InfoMoney. Os papéis da Elice recuavam cerca de 30% em relação ao preço da oferta pública inicial (IPO).

Nos contratos futuros, o Dow Jones subia 0,36% e o S&P 500, 0,11%, enquanto o Nasdaq, índice mais exposto à tecnologia, cedia 0,12%. A recuperação das ações de IA, que vinha ganhando corpo, perdeu fôlego.

Três sinais de aperto no financiamento

A Elice não foi o único alerta. De acordo com o InfoMoney, a australiana Firmus Grid abandonou o próprio IPO há pouco mais de duas semanas, o que já havia levantado preocupação sobre como será pago o avanço global da IA. Agora há um segundo caso de empresa de infraestrutura que não encontra o apetite esperado do investidor.

O terceiro sinal vem do mercado de dívida. Os títulos da CoreWeave tiveram alta acentuada nos rendimentos, o que indica que captar recursos pode ficar mais difícil para quem financia data centers com crédito. Rendimento maior significa que o investidor passou a exigir mais retorno para emprestar.

Ásia sente primeiro

O efeito apareceu nos mercados asiáticos. O Kospi, da Coreia do Sul, liderou as perdas da região: caiu 3,73% e fechou em 5.552,74 pontos. SK Hynix recuou 4,23% e a Samsung Electronics, 2,98%. O Kosdaq, índice de menor capitalização, perdeu mais de 3%, para 781,97 pontos.

Em outras praças, o Nikkei, do Japão, cedeu 1,30% e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,32%. Na Europa, o STOXX 600 recuava 0,57%, o DAX alemão 0,74% e o FTSE 100 britânico 0,54%. Xangai (+0,12%) e o Nifty 50 indiano (+0,65%) ficaram no azul.

Petróleo a US$ 111 pressiona o humor

O petróleo reforçou a cautela. O Brent subiu 1,36%, para US$ 111,04 por barril, o maior nível em cinco meses, e o WTI avançou 3,37%, a US$ 107,15. Segundo o InfoMoney, investidores avaliam o risco de novos ataques iranianos no Estreito de Ormuz e citam ataques dos houthis à infraestrutura saudita e relatos de ataques a embarcações no Golfo.

Para o investidor brasileiro, a combinação pesa por dois caminhos. Petróleo alto tende a alimentar a inflação global e a manter os juros elevados por mais tempo. E, se o crédito e as ofertas de ações ficarem mais caros para a infraestrutura de IA, os planos de expansão de data centers, inclusive os que miram o Brasil, podem ser revistos. A agenda do dia ainda traz os balanços da General Motors, antes da abertura, e da United Airlines e da Netflix, após o fechamento.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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