O publicitário Sidônio Palmeira, licenciado da Secretaria de Comunicação do Planalto para atuar na campanha de Lula (PT), afirmou nesta sexta-feira (16) que o pagamento de Flávio Bolsonaro (PL) a uma empresa de inteligência artificial é crime. A declaração foi dada a jornalistas no QG da campanha, em Brasília, e repercute reportagem do Intercept Brasil publicada no mesmo dia, segundo o Poder360.
Segundo o Intercept, Flávio pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança. A reportagem afirma que a Elytron tentou vender no exterior um sistema que usa IA para manipular eleições. O Intercept também relata que a empresa ofereceu uma "operação clandestina" para mapear eleitores, criar contas falsas, espalhar mentiras e desacreditar rivais. Segundo o Poder360, a oferta teria sido feita nos Estados Unidos.
Dois valores para o mesmo pagamento
Há uma divergência de números. O Poder360 informa que o PL declarou ter pago R$ 131,9 mil à Elytron, valor bem abaixo dos R$ 600 mil citados pelo Intercept. O jornal digital não explica a diferença, e a reportagem original do Intercept não foi consultada diretamente pelo Real Nacional. O Intercept afirma ter obtido documentos com detalhes das ações da empresa.
O Poder360 procurou a campanha de Flávio por e-mail e não recebeu resposta até a publicação. Também não há, no texto, decisão de autoridade eleitoral ou policial sobre o caso. A acusação de crime parte de Sidônio, adversário político do candidato, e não de um órgão de investigação.
O que a campanha de Lula disse
Sidônio afirmou: "Isso aqui é crime, é mais um crime." Ele disse ainda que o episódio mostra como funciona o candidato, a quem chamou de "mão de tesoura". O publicitário também afirmou que a Meta tem interferido para beneficiar Flávio e que há interferências externas pagando por impulsionamentos, que, segundo ele, geralmente são fake news. A Meta negou interferência nas eleições brasileiras, de acordo com matéria separada do Poder360.
Camilo Santana (PT-CE), coordenador da equipe de Lula, disse que a campanha não aceitará interferência externa. Segundo ele, haverá nova reunião com o setor jurídico, a nove dias da eleição. Camilo afirmou ainda que a denúncia tem de ecoar por todos os cantos do planeta.
Para onde o caso pode ir
O desdobramento mais direto depende de duas respostas que ainda não existem: a da campanha de Flávio sobre o contrato com a Elytron e a de alguma autoridade sobre a natureza dos serviços contratados. O pagamento de uma empresa de cibersegurança, por si só, não configura ilícito eleitoral, e o que a empresa de fato entregou à campanha é justamente o ponto que o Intercept diz documentar.
Para o eleitor, o episódio chega a nove dias do 2º turno e se soma à discussão sobre propaganda feita com IA e impulsionamento nas plataformas. A campanha de Lula já trata o assunto como tema jurídico. A de Flávio ainda não se manifestou publicamente, segundo o Poder360.



