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Fim da escala 6x1 é promulgado: 42 horas em 2 meses e 40 horas em 14, sem corte de salário

O Congresso promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda que derruba a escala 6x1: a jornada máxima cai de 44 para 42 horas em dois meses e para 40 horas em 14 meses, com dois dias de descanso pago e salário mantido.

Trabalhadores em jornada de trabalho em frente ao Congresso Nacional, em Brasília
Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que acaba com a escala 6x1. Foto: Pexels / Rodolfo Gaion

O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que acaba com a escala 6x1, segundo o g1. A promulgação transforma a PEC em norma constitucional e inicia a contagem dos prazos para que empresas e trabalhadores migrem para o modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso.

O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), havia anunciado o ato na quinta-feira (15), no plenário. De acordo com o Poder360, a cerimônia foi antecipada em relação à data inicialmente prevista, na semana seguinte. O Senado aprovou o texto na quarta-feira (14), com relatoria de Omar Aziz (PSD-AM), sem alterar a versão que a Câmara havia votado em maio.

O que muda na jornada e quando

O limite semanal cai de 44 para 40 horas, e o teto diário de 8 horas continua valendo. A transição tem duas etapas. Em dois meses, contados da publicação da emenda, a jornada máxima passa a 42 horas e o trabalhador ganha dois dias de descanso semanal remunerado. Em 14 meses, o teto chega a 40 horas, segundo o Poder360.

Um dos dois dias de folga deve ser, preferencialmente, o domingo. A emenda proíbe redução de salário e preserva os pisos salariais. Convenções e acordos coletivos poderão tratar de compensação de horários e de arranjos específicos de descanso, dentro dos limites fixados pelo texto.

O advogado trabalhista Hugo Luiz Schiavo, sócio do A. C. Burlamaqui Advogados, disse ao g1 que as mudanças começam a valer dois meses após a publicação. A contagem parte do Diário Oficial, onde a emenda foi oficializada.

Da PEC de 36 horas à de 40

A origem do texto está na PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa 36 horas semanais. Foi apensada a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que defendia a escala 4x3. O relator na Câmara, Leo Prates (Republicanos-BA), fixou o limite em 40 horas, segundo o DCI.

Na votação do primeiro turno na Câmara, em 27 de maio, o texto-base teve 472 votos a favor e 22 contra, de acordo com o DCI. Os votos contrários vieram de deputados do PL, do Novo, do Missão e de partidos do centrão como MDB, União, PP e PSD.

Quem tem tratamento diferente

Micro e pequenas empresas poderão ter medidas de transição definidas por lei complementar, condicionadas à manutenção do nível de emprego, segundo o Poder360. Carreiras com turnos diferenciados dependem de leis específicas para regulamentar a nova jornada, conforme o DCI. Até essas leis saírem, setores como comércio, saúde e segurança devem discutir com sindicatos e patrões como organizar as escalas.

O Poder360 informou que o fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula, e que o governo e aliados combinaram votar a proposta antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A promulgação ocorre nove dias antes da votação.

Quem paga a conta da transição

O custo imediato recai sobre empregadores que operam seis dias por semana com o mesmo número de funcionários. Para manter o atendimento, terão de contratar, redistribuir turnos ou reduzir horário de funcionamento, sem poder cortar salários. O primeiro ajuste obrigatório chega em dois meses, com as 42 horas e a folga dupla. O segundo, as 40 horas, vem 14 meses depois da publicação.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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