O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal 'Exército do Lula' no WhatsApp, criado para reunir apoiadores do presidente Lula (PT) na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL). A decisão atendeu a um pedido da campanha de Flávio, segundo a Agência Brasil. O canal reunia cerca de 3,3 milhões de pessoas, de acordo com a agência.
A decisão saiu a 14 dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Segundo o InfoMoney, o pedido chegou ao gabinete do ministro às 16h24 de sábado (10) e foi atendido em menos de 24 horas.
O que o ministro mandou fazer e por quê
A campanha de Flávio sustenta que o canal, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), espalhava desinformação sobre temas como o fim do Bolsa Família e a redução de aposentadorias. Pediu ainda que o WhatsApp aplicasse ao canal as mesmas medidas que adota contra canais que violam suas regras, sob o argumento de que a plataforma não cumpriu compromissos assumidos para as eleições de 2026.
Na decisão, Kassio Nunes Marques afirmou que o canal repete conteúdos que o próprio tribunal já considerou inverídicos. Um exemplo citado foi a alegação de que Flávio apoiaria tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. O ministro também apontou o risco de a demora tornar a medida inútil, por causa da proximidade da votação, e escreveu que a liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral.
Segundo o InfoMoney, o ministro delimitou o alcance da ordem. Mobilização de apoiadores, crítica política dura e pedido de voto nas redes continuam permitidos. O alvo, de acordo com a decisão, é a estrutura que transmite a milhões de pessoas, sob comando único, conteúdo já tido como falso pela Justiça Eleitoral.
Um processo paralelo e números que não batem
O canal já era examinado no TSE em outra ação da campanha de Flávio, que também pede a cassação do mandato de Janones. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, deu cinco dias para Janones e Lula responderem e pediu aos advogados de Flávio que detalhem as irregularidades de cada conteúdo e juntem provas. Kassio reconheceu a ação em curso e enviou ao corregedor cópia do pedido e da decisão.
O tamanho do canal varia conforme a fonte. A Agência Brasil registra 3,3 milhões, número que o próprio Janones citou, embora numa live ele tenha falado em 3,2 milhões. O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, mencionou 3,25 milhões. O InfoMoney informa que o canal saltou de cerca de 50 mil para quase 2 milhões de seguidores em menos de dois dias depois do primeiro turno.
Reação e próximos passos
Janones chamou a decisão de censura. 'A censura já começou', disse em vídeo nas redes sociais, e pediu que os integrantes migrassem para outro canal e para uma página no Instagram. Ele nega ter divulgado notícia falsa: em live no sábado, afirmou que o canal ainda estava na fase de inclusão de perfis e que nada havia sido publicado. Para o deputado, o pedido da campanha adversária nasce do medo.
A campanha de Lula disse que a decisão causou estranheza e revolta e que sua equipe jurídica responderia em poucas horas, segundo o InfoMoney. Sidônio Palmeira chamou o pedido de grande absurdo. Na prática, a ordem tira de circulação, a duas semanas da votação, o principal meio de mobilização de apoiadores de Lula no WhatsApp. O que restar do canal depende agora da resposta da defesa e do julgamento da ação sob relatoria de Villas Bôas Cueva.



