O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, suspendeu na tarde de terça-feira (15) a deliberação sobre autorizar investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master, depois que Flávio Dino pediu vista. Nesta quarta (16), a Exame registrou que o tema central — se há base para apurar o elo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — não chegou a ser votado pela Corte.
Pelas regras do STF, o prazo da vista pode chegar a 90 dias. Interlocutores de Dino disseram ao jornal O Globo, segundo a Exame, que não há previsão de devolução antecipada dos autos. O limite regimental cairia em 15 de dezembro. Se o calendário seguir assim, uma nova sessão ficaria depois dos dois turnos das eleições presidenciais, disputa já atravessada pela crise no Supremo.
Antes da interrupção, o plenário travou na questão de ordem de Gilmar Mendes sobre reunir os procedimentos de Moraes e André Mendonça. O placar parcial ficou em 4 a 3 pela manutenção dos ritos separados, com Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia de um lado. Gilmar, Zanin, Moraes e o voto preliminar de Dino puxavam a análise conjunta; o voto de Dino não foi computado por causa da vista, o que deixou o placar virtual empatado em 4 a 4 até a retomada.
Fachin, que avocara a relatoria e marcou a sessão inédita, abriu os trabalhos dizendo que o STF atravessa um período difícil e que não se julgam pessoas, e sim fatos e questões jurídicas. A DW e a Exame destacaram que o ponto sobre a validade do relatório da Polícia Federal e a eventual autorização de investigação contra Moraes ficou para depois. O julgamento sobre a conduta de Mendonça segue marcado para 23 de setembro, com risco de nova discussão sobre tramitação conjunta.
Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques ficam de fora da retomada — o primeiro por suspeição de foro íntimo, o segundo por impedimento na presidência do TSE. Com uma cadeira vaga no Supremo, oito ministros poderiam participar quando Dino devolver os autos. A crise Master continua no centro da política nacional, com Fachin tentando segurar o rito enquanto o calendário eleitoral aperta.



