quinta-feira, 22 de outubro de 2026 · Edição diária

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Ventoá compra 30% da Factum IA, que acha bens de devedores em 60% dos casos parados

A gestora Ventoá adquiriu 30% da legaltech, avaliada em cerca de R$ 7 milhões, que já mapeou R$ 400 milhões em dívidas e diz localizar patrimônio em 60% dos processos parados há mais de três anos.

Documentos jurídicos sobre uma mesa em escritório de advocacia
A Factum IA cruza dados de pessoas, empresas e processos para indicar onde há patrimônio a executar. Foto: Pexels / Phil Evenden

A gestora Ventoá comprou 30% da Factum IA, startup que usa inteligência artificial para localizar patrimônio de devedores em processos de cobrança, informou a Exame nesta quinta-feira (22). A operação indica valor de empresa de cerca de R$ 7 milhões, segundo a reportagem.

A Factum IA afirma ter R$ 400 milhões em dívidas mapeadas e taxa de sucesso de 60% na localização de bens em casos parados há mais de três anos. Os números são da própria empresa e a Exame não informa que auditoria os confirmou.

O gargalo que a startup quer explorar

A Factum IA estima que o Judiciário tenha encerrado o último período com 75,5 milhões de processos em andamento e taxa de congestionamento de 62,6%. Mais de 30 milhões são execuções paradas porque ninguém encontrou bens para penhorar.

Pelas contas da empresa, essa fila prende R$ 324 bilhões no setor público e R$ 232 bilhões no privado, ou R$ 556 bilhões no total. É uma estimativa da startup, e não um dado oficial do Judiciário.

Menotti Franceschini, sócio da Ventoá, afirmou que o maior obstáculo na recuperação de ativos no Brasil não é a falta de decisões favoráveis ao credor. O problema, segundo ele, está em encontrar o que executar depois que a sentença sai.

Como a plataforma encontra o patrimônio

O sistema cruza informações sobre pessoas, empresas, participações societárias, relações familiares e processos judiciais para achar vínculos que ajudem a orientar a cobrança. Mudanças em quadros societários, ligações entre empresas e laços entre pessoas físicas e jurídicas entram nesse cruzamento. A Exame não detalha quais modelos de IA a startup usa.

Armando Zanin, fundador e especialista em investigação patrimonial, disse que as ferramentas convencionais entregam dados espalhados, e o profissional precisa conectá-los à mão. A Factum IA propõe automatizar essa etapa.

O modelo de negócio é de assinatura corporativa com monitoramento contínuo das carteiras dos clientes, em vez de consultas avulsas. Os alvos são bancos, instituições financeiras, FIDCs, securitizadoras e escritórios de advocacia. Até a entrada da Ventoá, a empresa havia sido construída com recursos limitados, em modelo próximo ao bootstrap.

A aposta da gestora e o que vem agora

A Ventoá tem cerca de dois anos de operação e 17 empresas na carteira, vindas de três caminhos: negócios fundados pelos sócios, empresas criadas com empreendedores especialistas e aportes em companhias existentes. As participações costumam ficar entre 25% e 30%, e a carteira soma mais de R$ 300 milhões, valor que se refere às fatias da gestora e não ao total das investidas.

A meta declarada é chegar a R$ 1 bilhão em cinco anos. Os sócios já tiveram saídas anteriores, entre elas a venda da Softway para a Thomson Reuters e uma operação secundária na Movile, em 2022.

Para bancos e fundos de crédito, o efeito prático está na carteira de execuções paradas. Se a taxa de 60% se confirmar fora da base da própria startup, parte dos processos hoje tratados como perda poderia voltar a render. A validação virá com os primeiros contratos de assinatura com instituições financeiras, que a empresa pretende fechar com o aporte.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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