A Anatel e tribunais federais suspenderam sistemas ou prazos nesta quinta-feira (22/10) por causa de duas falhas graves no PHP, segundo levantamento da InfoMoney. A agência cortou o acesso externo ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), usado para documentos e processos digitais. O título da reportagem atribui a descoberta das falhas a inteligência artificial.
As vulnerabilidades permitem executar comandos remotamente em servidores afetados, sem login nem senha. Os desenvolvedores do PHP já liberaram correções para versões recentes da linguagem. Até agora, de acordo com a InfoMoney, não há confirmação de invasões de grande impacto no Brasil.
Quem parou e o que ficou fora do ar
A Anatel suspendeu temporariamente o acesso externo ao SEI. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) adotou medida semelhante, seguindo orientação do TRF4, e disse que a suspensão serve para preservar a segurança enquanto as avaliações técnicas são feitas. O tribunal não informou previsão para normalizar o acesso externo.
A Justiça Federal da 4ª Região interrompeu o acesso pela internet a serviços digitais, sem detalhar quais. O TRF6, em Minas Gerais, foi mais longe: suspendeu o expediente e os prazos processuais depois de instabilidades nos sistemas eletrônicos.
A reportagem afirma que as restrições são preventivas e que a existência da falha não significa invasão nem acesso indevido a informações.
O alerta do governo federal
Na quarta-feira (21/10), o Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov) emitiu um alerta. O texto manda os órgãos públicos atualizarem imediatamente os sistemas que usam PHP. Quando a atualização não for possível, a orientação é avaliar a suspensão temporária do acesso externo aos sistemas vulneráveis.
O CTIR Gov avisa que as falhas podem permitir a execução de código malicioso e comprometer informações guardadas nos servidores. As suspensões feitas pela Anatel e pelos tribunais seguem esse segundo caminho previsto no alerta.
Por que o alcance é tão grande
O PHP aparece em cerca de 70% dos sites que usam linguagens identificáveis, segundo estimativa da empresa de cibersegurança Wiz citada pela InfoMoney. A lista de plataformas afetadas inclui WordPress, Drupal e Joomla, além de sistemas de empresas, governos e instituições de ensino.
O problema também não é só brasileiro. Na França, páginas de órgãos públicos ficaram indisponíveis depois de orientação da agência nacional de cibersegurança, e outros países europeus foram afetados. Nos Estados Unidos, autoridades recomendaram correção urgente e o isolamento de sistemas vulneráveis quando a atualização imediata não fosse viável.
Quem sente a parada no dia a dia
Para advogados, partes de processos e cidadãos que dependem de peticionamento e consulta eletrônica, o efeito prático é a perda de acesso externo por tempo indeterminado, como no TRF1. No TRF6, os prazos processuais foram suspensos, o que evita prejuízo a quem não conseguiria protocolar documentos.
Para empresas que mantêm sites em WordPress, Drupal ou Joomla, a orientação oficial vale por analogia: atualizar o PHP o quanto antes e, se isso demorar, limitar o acesso externo ao que estiver vulnerável. A InfoMoney não informa quando os sistemas suspensos devem voltar.



