O Lide, grupo de líderes empresariais do ex-governador de São Paulo João Doria, vai promover em 19 de outubro um almoço com o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, para cerca de 400 empresários. A informação é do Poder360, publicada neste sábado (10), e também foi registrada pela coluna Painel, da Folha. O encontro ocorre seis dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O evento será das 12h às 14h30, no hotel W, na Vila Olímpia, em São Paulo, e é restrito a filiados do Lide. No anúncio, o grupo o descreve como um debate direto sobre o quadro político e econômico, segundo o Poder360.
O plano fiscal que circula nos bastidores
Na mesma reportagem, o Poder360 afirma ter apurado que a equipe econômica de Flávio prepara medidas para apresentar logo após a posse, caso ele vença. A principal seria a substituição do marco fiscal em vigor desde 2023. O veículo não indica a fonte da informação nem há manifestação oficial da campanha sobre o tema.
De acordo com a apuração, a nova regra teria como referência a relação entre a dívida pública e o PIB. O desenho atual fixa metas de resultado primário e deixa de fora as chamadas excepcionalidades, as despesas extraordinárias. A ideia em discussão, segundo o Poder360, é manter a possibilidade de gastos extraordinários em situações extraordinárias.
A reportagem não traz declarações de Flávio, de Doria ou de Lula sobre o almoço ou sobre a proposta fiscal. Por isso, o que se sabe do plano se limita ao relato do Poder360.
Uma relação que já teve atrito
Doria e a família Bolsonaro se desentenderam durante a pandemia, quando ele governava São Paulo. Em um evento do próprio Lide, o ex-governador disse que Jair Bolsonaro teria sido reeleito em 2022 se tivesse apoiado a vacinação. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, concordou com a avaliação na ocasião. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro reagiu nas redes sociais com um insulto a Doria e disse que ele abriu caminho para o PT governar, conforme o Poder360.
O que está em jogo para o empresariado
Para os 400 convidados, o almoço é a chance de ouvir o candidato falar de política econômica a pouco tempo da votação, num momento em que a regra fiscal é um dos pontos mais sensíveis para juros, câmbio e crédito. Trocar o marco de 2023 por uma âncora na dívida pública exigiria projeto de lei e votação no Congresso, e qualquer detalhe sobre a nova meta ainda não foi apresentado.
Se Flávio descrever a proposta no dia 19, será a primeira vez, entre as informações disponíveis, que o plano aparece em voz do próprio candidato diante de investidores e executivos. Até lá, o que existe é o relato de bastidor e o convite do Lide.



