O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou no debate da Band, na noite de domingo (18), que quer levar ao SUS o padrão de atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein, referência da rede privada. O presidente Lula (PT) reagiu perguntando se o adversário pretende privatizar o sistema público, segundo a CNN Brasil.
A proposta foi apresentada em resposta sobre saúde, a uma semana do segundo turno, marcado para o dia 25. Flávio resumiu a ideia numa frase: "O SUS vai ser padrão Einstein". Ele a detalhou como atendimento com tecnologia, com médicos, com hora marcada e sem fila.
O que Flávio colocou na mesa
Além da comparação com o Einstein, o senador listou medidas concretas. Disse ter convidado Claudio Lottenberg, ex-presidente do hospital, para assumir o Ministério da Saúde caso vença a eleição.
Propôs também um prontuário eletrônico único, que reuniria dados das redes municipal, estadual, federal e privada. A ideia é que um paciente tenha o histórico acessível em qualquer ponto do sistema. Flávio citou ainda a ampliação da telemedicina e do uso de inteligência artificial na saúde pública.
A resposta de Lula
Lula repetiu a pergunta sobre privatização e disse que Flávio "não entende nada de saúde pública". Perguntou se o adversário já esteve em uma UPA e afirmou que ele nunca foi a uma. O presidente também criticou a condução da pandemia de Covid-19 no governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, e disse que parte das mortes poderia ter sido evitada se as orientações científicas tivessem sido seguidas.
Ao encerrar, Lula disse ter orgulho de trabalhar para recuperar o SUS e parabenizou os médicos pelo Dia do Médico. O bloco teve interrupções entre os candidatos, e a mediadora Adriana Araújo pediu que Flávio respeitasse o tempo de resposta do presidente.
O que a proposta ainda não responde
A reportagem da CNN Brasil não registra estimativa de custo, prazo de implantação nem a forma como o padrão de um hospital privado seria replicado numa rede pública que atende todo o país. Também não esclarece quem operaria o prontuário único, que depende de integração entre sistemas hoje separados por esfera de governo e pela rede privada.
Para o eleitor, o ponto prático é a disputa de rótulos. Flávio vende eficiência e tecnologia, com IA e telemedicina como instrumentos. Lula associa o modelo à privatização e cobra de Flávio conhecimento do dia a dia do SUS. Sem números nas duas falas, a comparação entre as propostas fica para os programas de governo e para os próximos confrontos antes da votação de domingo.



