Circula desde quarta-feira (7) nas redes sociais um vídeo que atribui ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, a promessa de cortar aposentadorias, 13º salário, pensões e o programa Pé-de-Meia para usar o dinheiro em gasolina, caso seja eleito. O conteúdo é falso: a fala foi manipulada com inteligência artificial, segundo o Fato ou Fake, serviço de verificação do g1, em reportagem publicada na quinta-feira (8).
O material viralizou no Instagram, no TikTok, no X e no WhatsApp e reproduz a identidade visual da cobertura eleitoral do g1, o que pode levar quem assiste a confundir a montagem com uma reportagem verdadeira, de acordo com a verificação do veículo.
O vídeo falso circula na reta final da disputa pela Presidência, depois de Flávio Bolsonaro confirmar vaga no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Como as ferramentas de verificação apontaram a fraude
O g1 submeteu a gravação a duas ferramentas de detecção. A Hive Moderation apontou 83,1% de probabilidade de o áudio ter sido manipulado. O sistema Hiya, usado pela plataforma InVID, classificou a fala como muito provavelmente gerada por inteligência artificial, com 99% de chance de montagem.
A assessoria de Flávio Bolsonaro disse ao g1 que o vídeo é uma montagem feita com inteligência artificial e configura fake news eleitoral.
De onde saiu o áudio usado na montagem
A base da fraude é uma entrevista verdadeira concedida por Flávio Bolsonaro em 4 de outubro, dia do primeiro turno, quando o candidato agradeceu os votos recebidos e disse estar muito feliz com o resultado. Partes da voz e das imagens dessa entrevista foram reaproveitadas para simular a fala sobre corte de benefícios.
O vídeo soma-se a outras publicações falsas sobre as propostas de Flávio Bolsonaro que circularam depois do primeiro turno. Segundo verificação do portal ND Mais publicada também na quinta-feira (8), conteúdos sem comprovação atribuem ao candidato planos de privatizar o SUS, a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, além de acabar com o 13º salário, as férias remuneradas e programas como o Bolsa Família e a Farmácia Popular.
O que o plano de governo do PL propõe sobre SUS e estatais
O plano de governo registrado pelo PL e declarações do coordenador econômico da campanha, Adolfo Sachsida, descrevem propostas diferentes das que circulam nas redes: contratação de serviços privados complementares ao SUS, sem fim da gratuidade do sistema público, ampliação do acesso a medicamentos com entrega domiciliar, combate à informalidade no mercado de trabalho e desestatizações que preservam as três principais estatais, segundo o ND Mais.
Para quem recebe esse tipo de vídeo, a orientação das equipes de verificação é buscar a fonte original da fala antes de compartilhar, já que o mesmo recurso de inteligência artificial usado contra Flávio Bolsonaro já foi aplicado em outros conteúdos falsos durante a campanha.



