O Fundo Monetário Internacional afirmou que a inteligência artificial pode afetar 40% dos empregos do mundo ao longo do tempo. A projeção foi repetida pela diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangkok, na Tailândia, que começaram nesta segunda-feira (12) e seguem até domingo (18), segundo reportagem do Olhar Digital.
Segundo os números do FMI, a inteligência artificial atinge 60% dos postos de trabalho em economias avançadas, como Estados Unidos e países europeus, e 25% nas economias emergentes. A média global chega aos 40% citados por Georgieva. Metade desses empregos deve sofrer efeito negativo, com substituição ou rebaixamento de função, enquanto a outra metade tende a ganhar produtividade e renda com o uso da tecnologia. Nos Estados Unidos, cerca de 10% das vagas abertas já exigem habilidades práticas em inteligência artificial.
Por que o primeiro emprego é o mais exposto
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, e o presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, usaram o mesmo fórum em Bangkok para apontar um efeito mais imediato da IA: a dificuldade de recém-formados entrarem no mercado de trabalho. Shanmugaratnam disse que o problema exige resposta rápida dos governos.
Georgieva disse, em frase direta: "IA, ame-a ou odeie-a. Ela já está aqui." A fala reforça o argumento do FMI de que o impacto da tecnologia sobre vagas de entrada, estágios e primeiros cargos técnicos já está em curso, antes de qualquer regulação específica sobre o tema entrar em vigor nos principais países.
O alerta que o FMI já tinha feito em janeiro
O número de 40% já havia sido citado antes. Georgieva apresentou a mesma divisão, 60% nas economias avançadas e 25% nas emergentes, em janeiro, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Na ocasião, ela citou Estados Unidos, Dinamarca e Singapura como os países mais preparados para lidar com a automação, mas fez uma ressalva.
O FMI também mapeou quatro atrasos comuns a países de renda baixa e média para absorver a IA: infraestrutura física para rodar os sistemas, qualificação da força de trabalho, regras de regulação e ética, e baixa difusão real da tecnologia dentro das empresas locais.
Quem sente o aperto primeiro no Brasil
O Brasil se encaixa no grupo de economias emergentes, com exposição estimada em 25% dos empregos, abaixo da média global e bem abaixo dos 60% das economias ricas. Essa diferença reduz a pressão imediata sobre o mercado de trabalho nacional, mas não elimina o ponto citado por Banga e Shanmugaratnam: o primeiro emprego, porta de entrada de recém-formados em funções como atendimento, suporte técnico e análise de dados, é justamente a faixa em que empresas já trocam tarefas repetitivas por ferramentas de IA generativa.
Para o mercado de trabalho brasileiro, a diferença entre os dois patamares, 25% no país contra 60% nas economias ricas, define o prazo disponível. O intervalo entre a automação das tarefas de entrada e a criação de novas funções que absorvam esses profissionais vai determinar se a IA aumenta ou reduz o número de vagas no país nos próximos anos.



