Uma foto que mostra o ex-candidato à Presidência pela Missão, Renan Santos, fazendo o gesto do "L" com os dedos, em suposto apoio à reeleição de Lula (PT) no segundo turno, é falsa e foi fabricada com inteligência artificial. A checagem foi feita pelo g1 Fato ou Fake e confirmada de forma independente pela agência Aos Fatos, que apurou o caso com a assessoria do próprio Renan Santos.
A publicação mais antiga da imagem foi localizada em um perfil pró-Lula no Instagram na sexta-feira, 9 de outubro de 2026. Dali, o conteúdo se espalhou por outras redes e acumulou pelo menos 670 mil visualizações no X, 18 mil curtidas no Threads, 5 mil curtidas no Instagram e 4 mil compartilhamentos no Facebook, segundo o levantamento da Aos Fatos.
Como a marca oculta da OpenAI expôs a montagem
A fraude foi identificada por meio da ferramenta de verificação da OpenAI, que detectou na imagem o SynthID, uma marca d'água invisível inserida automaticamente em fotos, vídeos e áudios gerados pelos produtos da empresa. A presença da marca indica que o conteúdo não é uma fotografia real, mas uma criação de IA generativa.
A Aos Fatos apurou ainda que o perfil responsável por divulgar a imagem já havia publicado outros vídeos e fotos produzidos com inteligência artificial anteriormente, o que reforça o padrão de uso da conta para espalhar conteúdo fabricado durante a campanha eleitoral.
Renan Santos nega apoio a Lula no segundo turno
Procurada pela Aos Fatos, a assessoria de Renan Santos confirmou que a fotografia é falsa. O ex-candidato já havia declarado publicamente que não apoiará nenhum dos dois concorrentes no segundo turno e que seus eleitores têm liberdade para decidir seu próprio voto, o que contraria diretamente a mensagem de apoio a Lula sugerida pela imagem fabricada.
Diante da repercussão negativa, a legenda da publicação original foi alterada posteriormente para incluir o texto "é meme glr pfvr", numa tentativa de reclassificar o conteúdo como humor depois que a montagem já havia circulado como se fosse um fato real.
O custo de identificar uma imagem falsa depois que ela já viralizou
O caso expõe o intervalo entre a circulação de um conteúdo fabricado por IA e sua checagem: a foto já somava centenas de milhares de visualizações quando passou pela verificação técnica que confirmou a fraude. Esse tipo de episódio tem se repetido ao longo da disputa presidencial, com diferentes agências de checagem recorrendo a ferramentas de detecção de marcas d'água digitais para rastrear a origem de imagens e vídeos antes do fim da eleição.



