sexta-feira, 16 de outubro de 2026 · Edição diária

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Gartner: data centers de IA precisam de US$ 8,5 tri em receita e projeção chega a US$ 3,6 tri

Segundo o Gartner, os donos de data centers de IA precisariam faturar US$ 8,5 trilhões acumulados até 2030 para cobrir os investimentos anunciados, mas a receita projetada é de no máximo US$ 3,6 trilhões.

Corredor de servidores em um data center de inteligência artificial
Data centers de IA consomem quase US$ 1 trilhão em investimento em 2026, segundo o Gartner. Foto: Pexels / panumas nikhomkhai

O Gartner calculou que os donos de data centers de inteligência artificial precisariam gerar US$ 8,5 trilhões em receita acumulada até 2030 para cobrir os investimentos de capital já anunciados, os custos de financiamento e um retorno de 12% sobre o capital investido. A projeção da consultoria para a receita de IA de empresas e consumidores ligada a essas instalações é de no máximo US$ 3,6 trilhões. O número complementa a estimativa do mesmo Gartner, já noticiada pelo Real Nacional, de que US$ 3,5 trilhões em infraestrutura podem perder valor até 2030. A análise foi divulgada nesta sexta-feira (16) e relatada pelo Convergência Digital.

A diferença entre o que seria necessário e o que se espera arrecadar passa de US$ 4,9 trilhões. É esse buraco que sustenta a conclusão da consultoria sobre o retorno do investimento.

O tamanho do gasto que o Gartner projeta

De acordo com o Gartner, os fornecedores de IA devem gastar quase US$ 1 trilhão em infraestrutura em 2026. Entre 2027 e 2030, o total previsto passa de US$ 6 trilhões. Will Sommer, diretor de análise sênior da consultoria, afirmou que a pesquisa indica que as receitas de IA nos segmentos corporativo e de consumo serão insuficientes para sustentar retornos lucrativos.

Com o ritmo atual de investimento, mais de US$ 3,5 trilhões em infraestrutura podem perder valor até o fim de 2030, segundo o Gartner. Até 2032, mais de US$ 4 trilhões em ativos ficariam expostos a baixas contábeis, porque esses equipamentos se depreciam rápido.

Quando o retorno de 12% chega, se chegar

A consultoria não espera que o retorno de 12% sobre o capital investido seja atingido antes do fim de 2032, e esse seria o melhor caso. Até lá, os donos das instalações teriam de financiar o gasto sem que o lucro o acompanhe.

O Gartner também aponta um problema de quem fica com o dinheiro. A maioria dos fornecedores nativos de IA opera com modelos de negócio enxutos em ativos, ou seja, não são donos de grandes estruturas físicas. A consultoria espera que menos da metade da receita de IA vá para os provedores que de fato possuem infraestrutura relevante. Quem constrói o data center, portanto, não é quem mais captura o faturamento da tecnologia.

O que a conta quer dizer para o Brasil

O estudo trata do mercado global e não traz recorte brasileiro. Ainda assim, o país disputa investimento em data centers, e o Redata, regime de incentivos para essas instalações, segue travado no Senado. Os números do Gartner entram nessa discussão como um alerta sobre o risco de quem financia a infraestrutura, e não só sobre quem a hospeda.

Para empresas que contratam capacidade de IA, a análise indica que o preço hoje cobrado convive com um retorno que o setor ainda não comprova. Se a receita não chegar, o ajuste pode vir em baixas contábeis de provedores e em revisão de planos de expansão, com efeito sobre contratos e preços ao longo da próxima década.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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