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Gartner vê US$ 3,5 trilhões em infraestrutura de IA sob risco de depreciação até 2030

A consultoria calcula que as empresas de IA vão investir US$ 7 trilhões em data centers até 2030, mas a receita do setor deve ficar US$ 4,9 trilhões abaixo do necessário para cobrir os custos.

Data center com servidores usados para treinar e operar modelos de inteligência artificial
A Gartner projeta que o gasto com infraestrutura de IA pode superar em trilhões de dólares a receita gerada pelo setor até 2030. Foto: Pexels

A consultoria americana Gartner afirmou nesta quarta-feira (14) que mais de US$ 3,5 trilhões em gastos com infraestrutura de inteligência artificial podem sofrer depreciação até 2030, caso as empresas do setor mantenham o ritmo atual de investimento em data centers, segundo reportagem do Valor Econômico sobre o relatório da consultoria.

De acordo com a Gartner, as provedoras de IA devem investir cerca de US$ 1 trilhão em infraestrutura só em 2026 e outros US$ 6 trilhões entre 2027 e 2030, somando US$ 7 trilhões em capital aplicado na década. No mesmo período, a receita gerada por aplicações de IA empresarial e de consumo ligada a data centers não deve passar de US$ 3,6 trilhões, segundo a consultoria.

O rombo entre o gasto e o retorno

Para cobrir o capital investido, os custos de financiamento e um retorno de 12% sobre o capital aplicado, taxa usada pela Gartner como referência para o setor, as donas de data centers de IA precisariam faturar US$ 8,5 trilhões de forma acumulada até 2030. A diferença entre essa meta e a receita projetada chega a US$ 4,9 trilhões, de acordo com o relatório. Em um horizonte mais longo, até 2032, a consultoria estima que mais de US$ 4 trilhões em ativos de infraestrutura de IA podem enfrentar baixa contábil.

As provedoras que devem sair do mercado

A pressão de custo recai com mais força sobre as chamadas neoclouds, empresas que alugam capacidade de processamento com GPUs para treinar e rodar modelos de IA, um nível abaixo de gigantes de nuvem como Amazon, Microsoft e Google. A Gartner projeta que mais de 80% dessas provedoras vão deixar de operar de forma independente até 2030, pressionadas pelo custo de capital e pela dificuldade de diferenciar o serviço oferecido.

Will Sommer, diretor sênior de pesquisa da Gartner, disse que o crescimento da receita com infraestrutura de IA sob demanda vai ficar baixo demais para que a maioria dos provedores de computação recupere o valor investido, segundo o relatório.

A reportagem cita o caso da CoreWeave, uma das maiores neoclouds dos Estados Unidos, como exemplo do risco: a empresa registrou US$ 2,93 bilhões em despesas de tecnologia e infraestrutura em 2025, contra US$ 961 milhões em 2024, e já contabilizou US$ 2,3 bilhões em depreciação e amortização no período, com base em uma vida útil de seis anos estimada para o hardware.

Quem sente o peso da conta no Brasil

O alerta da Gartner chega em um momento em que empresas brasileiras também correm para atrair investimento em data centers de IA. A CPFL, distribuidora de energia, já recebeu pedidos de 8 gigawatts em capacidade para esse tipo de instalação, oito vezes o que opera hoje no país. Se a depreciação acelerada prevista pela consultoria se confirmar, o custo recai sobre investidores expostos a ações de big techs e fundos de infraestrutura digital, que financiam boa parte da expansão global de data centers, incluindo projetos em território brasileiro.

A Gartner argumenta que a vida útil de seis anos usada por empresas como a CoreWeave para depreciar chips e servidores pode ser otimista diante do ritmo de lançamento de novas gerações de processadores de IA, o que tende a antecipar as baixas contábeis caso a demanda por computação não cresça na velocidade projetada pelas próprias empresas do setor.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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