A consultoria americana Gartner afirmou, em relatório divulgado em 14 de outubro, que mais de 80% dos provedores de nuvem especializados em inteligência artificial, batizados de neoclouds, vão deixar de operar de forma independente até o fim de 2030. A previsão derrubou as ações de empresas do setor na bolsa americana já no dia seguinte.
Segundo o analista sênior Will Sommer, do Gartner, o gasto global com infraestrutura como serviço otimizada para IA deve subir de US$ 66 bilhões em 2027 para US$ 174 bilhões em 2030. O valor, de acordo com Sommer, é baixo demais para que a maioria dos provedores de computação para IA recupere o investimento feito antes da troca da atual geração de semicondutores.
Ações caem na bolsa americana
No pregão seguinte à divulgação do relatório, as ações da IREN Limited caíram 5%, a US$ 28,94, as da CoreWeave recuaram também 5%, a US$ 62,26, e as da Nebius Group cederam 4%, a US$ 177,68, segundo o site 247wallst. Para comparação, o índice setorial First Trust Cloud Computing ETF perdeu 3% no mesmo dia, e o Invesco QQQ Trust, que reúne as principais empresas de tecnologia da Nasdaq, caiu apenas 1%.
Por que os provedores não aguentam o ritmo
O relatório, segundo o site Dealroom, afirma que operadores de nuvem diversificados e de grande porte estão mais bem posicionados que as neoclouds, dependentes quase só de contratos de IA, para absorver a diferença entre receita e custo de expansão. Entre os fatores de risco citados estão a concentração de clientes, caso de IREN e Nebius, as restrições no fornecimento de GPUs e, no caso da CoreWeave, o endividamento elevado em relação ao patrimônio.
A consultoria estima que US$ 3,5 trilhões em gastos com infraestrutura de IA podem ficar expostos a risco de desvalorização até 2030, caso as empresas do setor mantenham o ritmo atual de investimento em capital. Para o Gartner, as gigantes de tecnologia que atuam em nuvem devem enfrentar a reorganização do mercado em posição mais confortável, porque seus negócios não dependem só de serviços de IA.
Quem paga a conta
O resultado prático da previsão recai sobre investidores que compraram ações de neoclouds na expectativa de crescimento contínuo da demanda por computação de IA, e sobre empresas que firmaram contratos de longo prazo com esses provedores para rodar seus modelos. Se o Gartner estiver certo, parte desses contratos pode ser repassada a operadores maiores em processos de fusão ou aquisição até o fim da década, o que pode significar troca de fornecedor e renegociação de preço para quem depende dessa infraestrutura, inclusive no Brasil.
Fontes consultadas
- Convergência Digital — Neoclouds: 80% dos fornecedores vão deixar de operar de forma independente até 2030
- 247wallst — AI cloud stocks sink as Gartner warns most neoclouds wont survive independently, Iren and CoreWeave fall 5%, Nebius drops 4%
- Dealroom — Gartner: over 80% of neoclouds may cease independent operations by 2030


