Empresas que colocam agentes autônomos de inteligência artificial para trabalhar começam a procurar um profissional novo: o gerente de agentes de IA. A função foi descrita pela Exame em reportagem publicada nesta quarta-feira (14) e ainda não tem título padronizado no mercado, nem faixa salarial consolidada.
O gerente de agentes coordena sistemas que executam tarefas com diferentes níveis de autonomia. Cabe a ele definir os critérios de execução e decidir em que momento uma pessoa precisa intervir. Segundo a Exame, isso o distingue do engenheiro de prompts, cujo foco está na conversa com o modelo: o gerente olha o processo inteiro, da entrada do pedido ao resultado entregue.
Onde os agentes já trabalham
A reportagem cita três áreas de aplicação. Em recursos humanos, agentes organizam currículos e agendam entrevistas. No atendimento ao cliente, consultam pedidos e encaminham solicitações. Em finanças, reúnem informações para relatórios e identificam inconsistências em transações.
Nos dois últimos casos o erro tem custo direto. Por isso a Exame menciona a supervisão humana como regra para processos sensíveis, como decisões financeiras ou de contratação. Quem ocupa o cargo responde por esse desenho.
O que a vaga exige e o que ainda não existe
O perfil combina conhecimento técnico, gestão de processos e governança. Entre as competências listadas estão desenho de fluxos automatizados, integração de ferramentas e sistemas, avaliação da qualidade das respostas, acompanhamento de indicadores, segurança e privacidade. Em posições mais técnicas, entram ainda APIs, análise de dados e plataformas de automação.
A reportagem sugere quatro métricas para medir o trabalho: taxa de erros, custo por tarefa, tempo economizado e qualidade dos resultados. Cargos vizinhos aparecem com nomes diversos, como especialista em automação, engenheiro de IA, arquiteto de soluções, gerente de produtos de IA e profissional de operações de IA.
Sobre dinheiro, a Exame é direta: não há faixa salarial consolidada e confiável para a função. A remuneração varia com o cargo, a senioridade, o país e a complexidade técnica do trabalho. Quem procura números de mercado para o cargo, portanto, ainda não os encontra.
Governança é o gargalo
A disputa por esse profissional ocorre antes de as empresas terem controle sobre os próprios agentes. Em abril de 2026, a Deloitte ouviu 3.235 líderes de tecnologia e negócios em 24 países. Apenas 21% deles consideravam madura a governança de agentes de IA em suas organizações, de acordo com o levantamento citado pela Exame.
Para quem vai contratar ou migrar de área, a orientação da reportagem é começar por um projeto-piloto de escopo limitado. Ele deve ter critérios de qualidade definidos, limites de acesso, registro das ações do agente e revisão humana. Segundo a Exame, a consolidação do cargo depende de como as empresas incorporarem agentes às operações: se a função vai virar carreira com título e salário de referência ou ser absorvida por áreas existentes ainda está em aberto.



