O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, cobrou na noite de sexta-feira (19) uma atuação apartidária do Tribunal Superior Eleitoral e avisou que o STF pode revisar atos da Justiça Eleitoral se entender necessário para preservar a Constituição e os próprios precedentes.
Em publicação nas redes sociais, Gilmar afirmou que o risco mais grave ao processo eleitoral "vem de dentro": a politização da Justiça Eleitoral. Segundo ele, quem tenta engajar o TSE em "proselitismo partidário" precisa avaliar se reúne condições de permanecer no tribunal. O decano pediu que partidos e o Ministério Público Eleitoral fiscalizem a imparcialidade dos ministros e apontem suspeição quando ela se configurar.
A mensagem chega em meio à crise aberta no STF entre o grupo ligado a Gilmar, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, de um lado, e André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, do outro. Mendonça é vice-presidente do TSE e Nunes Marques preside a Corte eleitoral. Dias antes, Gilmar havia chamado Mendonça de "boneco de campanha" e "pixuleco eleitoral".
No mesmo texto, o ministro reforçou a credibilidade das urnas eletrônicas e citou o desafio de deepfakes e propaganda falsa com inteligência artificial. Ele sustentou que o STF continuará agindo como "instância de supervisão" do processo eleitoral, intervindo quando for preciso para preservar a Constituição.
A declaração amplia o embate institucional às vésperas da campanha de 2026: o decano do STF coloca sob escrutínio público a condução do TSE e sinaliza que decisões da Justiça Eleitoral podem voltar ao plenário do Supremo se forem vistas como partidarizadas.



