O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, contratou em 2024 Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho e então cunhado do ministro Gilmar Mendes, do STF, segundo reportagem da Folha publicada nesta quinta (18).
As conversas no celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal, vão de abril de 2024 a junho de 2025, período em que Gilmar relatava no Supremo ações sobre a abertura de novos cursos de medicina.
Os diálogos apontam negociação, em setembro de 2024, de contrato de R$ 500 mil mensais pelos serviços de Chiquinho, com parcela extra de R$ 800 mil no primeiro pagamento. O consultor assinou com a Super Empreendimentos, empresa investigada pela PF como canal de pagamentos de Vorcaro.
Por assessoria, Gilmar afirmou que nunca tratou de pauta do MEC com Vorcaro ou Chiquinho e que, na ação sobre novos cursos, votou a favor do governo, não das universidades. Chiquinho confirmou o contrato, negou ter intermediado aproximação com o ministro e disse que a consultoria durou "curto período".
Em abril de 2024, mensagem atribuída ao então cunhado aconselhou Vorcaro a iniciar "relação direta" com Gilmar em evento em Londres. A coluna Mônica Bergamo já mostrou encontro de Vorcaro com Gilmar em 11 de abril de 2024 sobre causa bilionária do setor sucroalcooleiro; o ministro votou contra a tese do banqueiro.
Há menções a agendas com Camilo Santana, então ministro da Educação, e a um ofício do MEC sobre "padrão decisório cursos de medicina" enviado a Vorcaro. Camilo disse que não recebeu pedidos de Vorcaro por meio de Chiquinho. Gilmar e Guiomar, irmã de Feitosa, anunciaram divórcio em novembro de 2025.



