O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, anunciou nesta quinta-feira (8) a suspensão de Microsoft, Adobe e mais seis empresas de tecnologia do programa federal que permite a trabalhadores estrangeiros pedir o green card pela via do emprego, segundo a ABC News e o TechCrunch. A medida atinge também as indianas Infosys, Tata Consultancy, Wipro, HCL e Capgemini, além da americana Cognizant.
O programa suspenso é o PERM, a certificação trabalhista permanente que abre caminho para o visto de residência definitiva depois que o funcionário já está nos Estados Unidos com H-1B. O secretário do Trabalho, Keith Sonderling, disse que o governo não vai aceitar novos pedidos de certificação dessas empresas, de acordo com o TechCrunch.
Os números que Vance usou contra a Microsoft
Vance afirmou que a Microsoft demitiu 6 mil trabalhadores americanos no último ano e, no mesmo período, se beneficiou de 6.300 vistos H-1B e quase 3 mil green cards, segundo a ABC News. Pelas contas do vice-presidente, para cada funcionário americano demitido a empresa trouxe um e meio estrangeiro. Ele disse que nenhuma empresa nos Estados Unidos abusou mais do sistema de vistos do que a Microsoft.
O TechCrunch, porém, mostra um retrato mais matizado dos pedidos da empresa: a Microsoft apresentou cerca de 6 mil aplicações de H-1B no último ano fiscal, mas 80% delas eram para renovar ou mudar o status de funcionários que já trabalhavam na empresa, e apenas 1% correspondia a contratações novas. Cerca de três quartos dos vistos aprovados foram para trabalhadores da Índia.
A lista chega às gigantes indianas de TI
Além de Microsoft e Adobe, ficam de fora do programa a Capgemini, a Cognizant, a HCL, a Infosys, a Tata e a Wipro, segundo o TechCrunch. Essas empresas indianas de serviços de tecnologia dependem do H-1B e do PERM para alocar engenheiros em contratos de outsourcing nos Estados Unidos, e a suspensão corta a rota que leva esses profissionais do visto temporário ao green card.
O governo Trump também abriu investigação sobre nove universidades por suspeita de fraude no visto J-1, usado por estudantes estrangeiros em programas de trabalho e estudo: Harvard, Yale, Stanford, Pittsburgh, Brown, UC Davis, Caltech, Arizona State e MIT. A suspeita, segundo a ABC News, é de que as instituições tenham usado o programa para reduzir salários pagos a trabalhadores americanos.
Quanto tempo dura a suspensão
Vance disse que o bloqueio vai durar o tempo que for necessário, sem fixar prazo para a retomada dos pedidos. A ação integra a força-tarefa contra fraude migratória que o próprio vice-presidente coordena e deixa as empresas atingidas sem previsão de quando poderão voltar a patrocinar o green card de funcionários estrangeiros já contratados nos Estados Unidos.
Para quem já está nos Estados Unidos com H-1B e aguardava o próximo passo rumo à residência permanente, o efeito imediato é a paralisação do processo dentro dessas oito empresas, independentemente do tempo de casa ou da fase em que o pedido se encontrava.
Fontes consultadas
- g1 Tecnologia — EUA barram Microsoft e outras big techs de contratar estrangeiros por programa que leva ao green card; veja lista
- TechCrunch — US bars Microsoft, Adobe, and major IT firms from green card program for skilled foreign workers
- ABC News — Vance suspends Microsoft from a green card program to crack down on alleged fraud



