A Healo, startup de CRM com inteligência artificial para médicos independentes, chegou a 21 clientes pagantes em dois meses de operação, com tíquete médio de R$ 407 por mês, segundo o Brazil Journal. Os fundadores, Lucas Assis e Bruno Henrique, projetam de 600 a 1.000 clientes até 2030.
O produto nasceu dentro da Groohub, consultoria de marketing e vendas para clínicas médicas que os dois comandam. A empresa atende 66 clientes e deve faturar cerca de R$ 3 milhões neste ano. Ao implantar CRMs de terceiros nos consultórios, a dupla concluiu que as ferramentas disponíveis eram genéricas e difíceis de usar. "A usabilidade dessas ferramentas é muito ruim", afirmou Bruno Henrique ao Brazil Journal.
Um CRM com cara de WhatsApp
A Healo tem interface semelhante à do WhatsApp e organiza o relacionamento com o paciente desde o primeiro contato até o agendamento da consulta ou a contratação de um procedimento. Nos planos mais caros, o sistema automatiza mensagens de acompanhamento, recupera contatos que pararam de responder e estimula o retorno de quem já foi atendido.
Só três dos 21 clientes assinam o plano com recursos de IA. Os agentes que analisam conversas, identificam gargalos no atendimento e atualizam o CRM sozinhos ainda estão em desenvolvimento. Hoje esse preenchimento é manual. "Enxergamos os agentes de AI como potencializadores", disse Bruno Henrique.
A base inicial vem em boa parte da própria Groohub. A maioria dos clientes é de médicos em início de carreira, mas Lucas Assis disse que há profissionais com mais de 20 anos de estrada procurando a ferramenta.
O tamanho da aposta
Os fundadores estimam cerca de 340 mil clínicas médicas no Brasil, sem contar as odontológicas, e dizem que 70 mil têm o perfil ideal para a Healo. Para sustentar a tese de baixa adoção, Assis contou que, em um evento em Belo Horizonte com cerca de 120 médicos, menos de 10% usavam algum tipo de CRM.
A meta de 600 clientes levaria a uma receita anual de cerca de R$ 10 milhões, de acordo com a projeção da empresa. Com o tíquete atual de R$ 407, porém, 600 clientes renderiam perto de R$ 2,9 milhões por ano (conta feita a partir dos números da própria reportagem). O texto não explica a diferença, o que indica que a projeção depende de um tíquete médio bem maior, provavelmente puxado por planos com IA.
Quem financia e o que vem depois
Por ora, a Healo é bancada com recursos da Groohub. Os fundadores dizem estar em conversas para uma possível rodada de capital, sem revelar valores nem investidores. A visão de longo prazo é oferecer uma solução completa para o consultório, com prontuário eletrônico assistido por IA e ferramentas de gestão financeira.
Para o médico independente, a consequência prática é a chegada de mais um concorrente em um mercado que ainda tem baixa adoção de CRM. A validação virá de dois números que a empresa ainda não mostrou: quantos clientes migram para o plano com IA e se o tíquete médio sobe o suficiente para sustentar a projeção de R$ 10 milhões.



