segunda-feira, 5 de outubro de 2026 · Edição diária

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Emprego de jovens em funções expostas à IA fica 19% abaixo do esperado, mostra Stanford

Segundo o Stanford Digital Economy Lab, o emprego de profissionais de 22 a 25 anos em funções expostas à IA está 19% abaixo do nível que teria alcançado. A automação atinge justamente as tarefas que ensinavam o ofício a quem começa.

Jovem profissional trabalhando em um notebook em um escritório
Tarefas de entrada, como relatórios e código básico, estão entre as mais expostas à automação por IA. Foto: Pexels / Ivan S

O emprego de profissionais de 22 a 25 anos em funções expostas à inteligência artificial está 19% abaixo do nível que teria alcançado, segundo análise do Stanford Digital Economy Lab citada pela Exame nesta segunda-feira (5). O levantamento examinou folhas de pagamento de milhões de trabalhadores nos Estados Unidos até junho de 2026.

O dado alimenta uma discussão que chegou às empresas brasileiras: o que acontece com a primeira etapa da carreira quando as tarefas de entrada passam a ser feitas por máquinas.

Onde a IA já ocupa o lugar do júnior

De acordo com a Exame, as atividades mais afetadas são operacionais: elaboração de relatórios, análises de rotina e codificação básica. São tarefas que, para uma empresa, representam custo de execução. Para quem está começando, representam aprendizado.

A reportagem resume o problema em duas frases. Para um júnior, a mesma tarefa pode representar uma etapa de aprendizado. E o trabalho que antes servia como treinamento também pode ser automatizado.

Em desenvolvimento de software, um estudo do instituto alemão IZA, também de 2026, registrou queda de 14% a 15% nas vagas para desenvolvedores juniores em relação às posições seniores depois do lançamento do ChatGPT. O mesmo estudo aponta aumento nas exigências de experiência para os mesmos cargos.

O paradoxo da experiência exigida

O efeito combinado é um mercado que pede mais experiência de quem tem menos chances de adquiri-la. Se o relatório simples é gerado por um modelo, a empresa deixa de contratar alguém para fazê-lo, e esse alguém perde o degrau que o levaria à função seguinte.

Há um dado que contraria a leitura mais pessimista. Um estudo publicado no Journal of Economic Behavior & Organization, sobre empresas alemãs entre 2019 e 2023, mostrou que as que adotaram IA tiveram 14% mais novos contratos de aprendizagem. A mesma pesquisa observou, porém, que os recursos de treinamento se concentraram em trabalhadores com qualificações mais altas.

O que passa a ser pedido a quem começa

Segundo a Exame, o modelo de formação que ganha espaço desloca o foco da execução para a verificação. O profissional de entrada passa a conferir o que a IA produziu, interpretar resultados e resolver problemas mais complexos, em vez de montar a primeira versão do trabalho.

Para empresas, a consequência prática é desenhar outro caminho de aprendizado, já que o antigo servia de treinamento sem que ninguém o tivesse planejado como tal. Para quem busca o primeiro emprego, a exigência é chegar com capacidade de avaliar o resultado de um sistema, e não só de produzi-lo. Os números de Stanford e do IZA vêm dos Estados Unidos e da Alemanha, e a reportagem não traz medição equivalente para o Brasil.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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