Em 82% das empresas brasileiras, funcionários usam ferramentas de inteligência artificial de terceiros sem aprovação formal nem supervisão, e apenas 18% das companhias empregam a tecnologia de forma integrada, segundo reportagem da Exame publicada nesta terça-feira (6). Os números vêm de um estudo da SAP em parceria com a Oxford Economics, que ouviu 2.600 líderes em 13 países, 200 deles no Brasil.
Entre os dois extremos, 48% das empresas ainda operam com projetos de IA isolados, sem conexão com o restante do negócio. Nas companhias pesquisadas, a tecnologia já apoia 26% das tarefas. O uso, portanto, andou mais rápido que as regras para ele.
O custo do uso sem controle
A falta de governança já deixou rastro em incidentes. De acordo com o levantamento, 43% das empresas brasileiras relatam vazamento de dados ou de propriedade intelectual ligado a essas ferramentas. Outras 32% citam vulnerabilidades de segurança e 31% apontam violações de conformidade.
Do outro lado da pesquisa, só 15% das empresas brasileiras consideram seus processos totalmente preparados para governar a IA. A Exame afirma que a liderança cobra adoção e ganho de eficiência, mas a maior parte das companhias não definiu quais ferramentas, tarefas, dados e processos entram nessa conta.
O gargalo que só muda de lugar
Juliana Velozo, vice-presidente sênior para a América Latina da Thoughtworks, é a principal fonte de análise da reportagem. Ela afirmou que o ganho de produtividade individual não vira ganho da empresa sem que o fluxo de trabalho seja redesenhado. Segundo a executiva, acelerar uma etapa sem mexer nas seguintes apenas desloca o gargalo.
Na prática, um profissional que produz mais rápido com uma ferramenta que a empresa nem sabe que existe entrega seu trecho mais cedo, mas o restante da cadeia segue no mesmo ritmo. O resultado final não muda, e a companhia ainda assume o risco de dados sensíveis circulando fora do seu controle.
Quem precisa decidir primeiro
A distância entre os 82% que usam sem aprovação e os 18% que integram aparece, nos dados do estudo, como falta de decisão da liderança. Definir quais ferramentas são permitidas, para quais tarefas e com quais dados é a etapa que separa o uso individual do uso corporativo.
Enquanto essa definição não sai, a empresa paga duas vezes: com o risco de vazamento, que 43% das brasileiras já relataram, e com um ganho de produtividade que não chega ao resultado do negócio.



