O IFS Industrial Index 2026, estudo apresentado no evento IFS Unleashed, em Orlando, aponta que 43% dos trabalhadores de linha de frente da indústria usaram agentes digitais na rotina operacional no último ano. Apenas 4% das empresas, porém, exigem aprovação humana obrigatória para decisões tomadas por IA, segundo reportagem da Exame publicada nesta segunda-feira (19).
O levantamento traz mais dois números. Segundo o índice, 66% das organizações planejam investir em trabalhadores digitais nos próximos 12 meses. Já a confiança em autonomia plena é baixa: só 5,7% das empresas confiam na IA para agir de forma totalmente autônoma.
Uso alto, trava de controle rara
Os dados, lidos em conjunto, mostram uma distância entre adoção e supervisão. Quase metade da linha de frente já trabalha com agentes, e a maioria das empresas pretende gastar mais com eles. Ao mesmo tempo, o mecanismo mais direto de controle, a exigência de que uma pessoa aprove a decisão, é praticada por uma fração pequena.
A reportagem não informa o tamanho da amostra nem o método do estudo, e não detalha como os grupos se sobrepõem. Também não há recorte para o Brasil. Os percentuais descrevem o conjunto de empresas pesquisadas pela IFS, e não o mercado brasileiro.
O que os executivos da IFS dizem
Mark Moffat, CEO da IFS, afirmou que a IA pode transformar em valor dados corporativos subutilizados. De acordo com ele, uma pessoa pode fazer perguntas, executar ações ou delegar tarefas a um trabalhador digital dentro das regras, permissões e aprovações que regem o negócio, e é assim que a indústria fecha essa lacuna. Moffat disse ainda que grande parte do potencial industrial está na expertise das salas de controle e no conhecimento prático acumulado.
Toby Rees, Global Head of AI Trust da IFS, defendeu que a segurança jurídica e operacional não fique em segundo plano diante da pressa tecnológica. Para ele, as empresas precisam combinar inteligência com contexto, controle, responsabilização e disciplina operacional à medida que levam a tecnologia a ativos críticos e cadeias de suprimentos.
Onde está o risco para quem investe
A matéria cita dois riscos. O primeiro é financeiro e operacional: delegar decisões críticas a sistemas sem validação pode custar caro numa fábrica ou numa cadeia de suprimentos. O segundo é o controle sobre dados sensíveis ou sujeitos a restrições de exportação, que exige saber o que o agente acessa e para onde a informação vai.
Para a empresa que está entre os 66% com orçamento previsto para os próximos 12 meses, o ponto de decisão é anterior à compra: quais decisões o agente pode tomar sozinho e quais passam por uma pessoa. Os números do índice sugerem que, hoje, a maioria das companhias pesquisadas não exige esse aval, e que a baixa confiança em autonomia total convive com essa ausência de trava.



