sábado, 17 de outubro de 2026 · Edição diária

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Kioxia vale um terço do que valia em junho, mesmo com nota de crédito em alta

A fabricante japonesa de memória caiu de cerca de 60 trilhões para 21 trilhões de ienes (US$ 134 bilhões) em quatro meses, segundo o Nikkei Asia, pressionada por juros e pela concorrência da CXMT e da YMTC.

Chips de memória semicondutores em uma placa de circuito
A Kioxia fabrica memória NAND flash, usada em SSDs e em servidores de data centers de IA. Foto: Pexels / Nicolas Foster

A Kioxia, fabricante japonesa de memória NAND flash, perdeu cerca de dois terços do valor de mercado desde o pico de junho, segundo reportagem do Nikkei Asia reproduzida pela Exame neste sábado (17). A avaliação da empresa caiu de aproximadamente 60 trilhões de ienes para cerca de 21 trilhões de ienes, ou US$ 134 bilhões, em outubro. Os números são arredondados e medem o preço das ações, não perda de caixa.

A queda se soma ao tombo recente de SK Hynix e do índice Kospi com o avanço da chinesa CXMT, tema já tratado pelo Real Nacional. Desta vez, o fato novo é o tamanho do recuo de uma das principais fornecedoras de armazenamento para a infraestrutura de inteligência artificial. Na quinta-feira (15), as ações da Kioxia chegaram a cair 14% durante o pregão.

Duas dúvidas que pesam sobre a ação

De acordo com a reportagem, o recuo está ligado a duas incertezas. A primeira é o custo de financiar a construção de novos centros de dados, que depende de juros que o mercado agora vê mais altos por mais tempo. A segunda é a entrada de mais fornecedores na disputa pelos mesmos clientes.

No segundo ponto aparecem duas empresas chinesas. A CXMT (ChangXin Memory Technologies) fabrica memória DRAM e estreou na bolsa de Xangai em julho. A YMTC (Yangtze Memory Technologies) produz chips NAND com a tecnologia Xtacking e compete diretamente com a Kioxia nesse segmento.

O que a empresa mostra de concreto

Os dados operacionais não indicam uma empresa em crise. Em 13 de outubro, a S&P Global Ratings elevou a nota de crédito da Kioxia para BBB, com perspectiva positiva. A companhia afirma ter caixa e depósitos superiores à dívida, o que a separa de concorrentes que dependem de crédito para expandir.

Em 9 de outubro, a Kioxia anunciou a linha LD4, voltada a centros de dados de grande escala. As unidades de 15,36 TB e 30,72 TB estão em fase de envio de amostras a clientes selecionados, e a arquitetura foi validada para chegar a 122,88 TB. Ou seja, a empresa segue lançando produto para o mercado de IA enquanto a ação desaba.

O que a queda indica para quem compra IA

A distância entre a nota de crédito em alta e o valor de mercado em queda mostra que o preço das ações responde menos ao balanço atual e mais à expectativa sobre o ritmo dos investimentos em data centers. Se o financiamento encarece, projetos de expansão podem ser adiados, e fabricantes de memória sentem isso primeiro nas encomendas.

Para o comprador de servidores e armazenamento, inclusive no Brasil, a entrada de fornecedores chineses tende a ampliar a oferta e pressionar preços de memória ao longo dos próximos trimestres. Para o investidor em empresas ligadas a IA, a Kioxia passa a ser um exemplo de que lançamento de produto e melhora de crédito não bastaram para sustentar a avaliação de junho.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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