O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu 82 empregadores na chamada lista suja do trabalho escravo, em atualização feita nesta terça-feira (6), segundo a Agência Brasil. São 54 pessoas físicas e 28 pessoas jurídicas, flagradas em fiscalizações que resultaram na libertação de 553 trabalhadores.
O cadastro expõe empresas e pessoas físicas que, após fiscalização de órgãos públicos competentes, foram responsabilizadas por manter pessoas em condições análogas à escravidão. Os 82 nomes estão distribuídos por 21 unidades da Federação, o que mostra que o problema não se concentra em uma região.
Queda frente a abril, mas lista segue ampla
De acordo com a Agência Brasil, o número desta atualização representa redução de 51,48% em relação à anterior, publicada em abril de 2026. A queda não elimina o dado de fundo: o governo informa que, desde 1995, mais de 70 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão no país.
As fiscalizações que embasam esta atualização ocorreram em 2024 e 2025. O MTE informa ainda que os trabalhadores resgatados receberam mais de R$ 171 milhões em verbas, valor que sai do bolso dos empregadores flagrados.
Onde estão os flagrantes
O setor com mais casos na atualização é a criação de bovinos para corte, com 8 empregadores. Em seguida aparecem serviços domésticos (7), produção de carvão vegetal (6), produção de café (6) e construção de edifícios (5).
A lista inclui também um garimpo em Maués, no Amazonas, o Garimpo Filão dos Abacaxis. A atividade ilegal de mineração aparece, portanto, ao lado de cadeias agropecuárias e da construção civil entre os flagrantes.
O cadastro é gerido no Sistema Ipê, lançado em 15 de maio de 2020. As ações de fiscalização envolvem auditores-fiscais do Trabalho e, conforme o ministério, contam com apoio de instituições como a Polícia Federal, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União.
O risco para quem contrata e quem compra
Para o empregador, entrar na lista significa exposição pública do nome e da empresa. Para quem compra produtos ou contrata serviços, o cadastro funciona como ferramenta de checagem de fornecedores: carne, café, carvão e obras estão entre as atividades com mais registros nesta rodada.
Empresas com política de compliance costumam cruzar a lista com a base de fornecedores antes de fechar contratos. Quem tem cadeia de suprimentos nesses setores precisa conferir se algum dos 82 nomes novos aparece entre seus parceiros diretos ou indiretos.



