A propaganda eleitoral para presidente estreou no rádio neste sábado (29), e a campanha de Lula usou os primeiros minutos no ar para atacar Flávio Bolsonaro com um áudio em que o senador pede R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo reportagens do Metropoles e da CNN Brasil. A gravação, revelada pelo Intercept Brasil em maio, trata do financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, e voltou ao centro da campanha no mesmo dia em que o horário eleitoral entrou no ar.
Segundo o Metropoles, Vorcaro chegou a transferir R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões pedidos por Flávio para a produção do filme, sem prestar contas por cem dias. O episódio, ligado à investigação sobre o Banco Master, levou a campanha de Lula a exibir o trecho já nos primeiros minutos de propaganda. A peça termina com a frase "Flávio, o pior dos Bolsonaros", de acordo com o Metropoles.
Então se você puder me dar um toque, uma posição aí Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida (trecho do áudio de Flávio Bolsonaro, senador, reproduzido pela campanha de Lula, segundo a CNN Brasil)
Quem teve mais tempo no ar
Dos 13 candidatos registrados no TSE para presidente, apenas quatro exibiram propaganda no primeiro dia: Lula teve 5 minutos e 31 segundos, Flávio Bolsonaro, 4 minutos e 20 segundos, Ronaldo Caiado (PSD), 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury (Avante), 35 segundos, segundo o Metropoles e a CNN Brasil. O bloco eleitoral ocupou, ao todo, 12 minutos da manhã de sábado.
Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) ficaram sem tempo de propaganda porque seus partidos não atingiram a cláusula de desempenho, regra que reserva o horário eleitoral conforme o tamanho da bancada na Câmara dos Deputados, de acordo com o Metropoles. Isso explica por que PT e PL, os maiores blocos na Câmara entre os presidenciáveis, concentram a maior parte do tempo no ar.
Lula puxa histórico de governo, Flávio foca em segurança pública
Lula citou a criação de institutos federais e universidades, o programa Pé-de-Meia e o fim da escala 6x1 como marcas do governo, sob o mote "Brasil pronto para mais", segundo o Metropoles e a InfoMoney. A propaganda também recuperou a trajetória do presidente como torneiro mecânico antes de entrar na política, de acordo com o Metropoles.
Flávio Bolsonaro dedicou o tempo a segurança pública e economia. Disse que o Brasil "vive dominado pelas facções criminosas" e que famílias estão endividadas, e buscou se aproximar do eleitorado feminino ao falar da esposa e das filhas. Citou o pai, Jair Bolsonaro, uma única vez e não atacou Lula diretamente, segundo a CNN Brasil e o Metropoles.
Caiado usou o tempo para reforçar sua gestão em Goiás e criticar invasões de terra ligadas ao PT, segundo a CNN Brasil. Cury, com apenas 35 segundos, concentrou o discurso no combate à corrupção e à polarização política.
Por que Lula tem mais tempo que Flávio no rádio e na TV
A diferença de tempo decorre da cláusula de desempenho, que soma a bancada atual de deputados federais de cada partido para definir a fatia de cada candidato no horário eleitoral até o primeiro turno, em outubro, segundo o Metropoles. Como o PT tem bancada maior que o PL na Câmara, o partido garante a Lula mais minutos por dia do que o PL garante a Flávio, o que permite repetir o áudio sobre o Banco Master com mais frequência ao longo da campanha. O senador, por sua vez, tem menos tempo para reagir a cada nova edição do programa.



