A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou na noite desta quarta-feira (21) uma ação no Tribunal Superior Eleitoral pedindo a cassação do registro ou do diploma do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de seu vice, Alfredo Gaspar (PL). Segundo a Gazeta do Povo, que descreveu a petição, a coligação acusa Meta e X de favorecer a chapa adversária por meio de sistemas de recomendação, moderação e ferramentas de inteligência artificial.
A peça é uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije), com relatoria do corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Os fundamentos são abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social. Além da cassação, a campanha pede que Flávio e Gaspar sejam declarados inelegíveis por oito anos.
O que a petição diz ter encontrado nas plataformas
De acordo com o texto, os sistemas das duas empresas teriam operado "de modo reiterado e convergente" em favor da candidatura de Flávio. Os advogados de Lula listam casos concretos. Testes feitos na Meta AI e no Grok, o assistente do X, teriam aceitado gerar material com "Flávio 22" e recusado pedidos idênticos com "Lula 13".
No WhatsApp, a busca pelo canal "Exército do Lula" recomendaria o canal "Tropa do Flávio". No Instagram, a busca por hashtags traria "#lulaladrão" em primeiro lugar. A petição também afirma que o perfil oficial de Flávio teve 2,96 vezes mais interações por publicação que o de Lula na primeira semana do segundo turno, mesmo com menos seguidores.
Há ainda um dado sobre conteúdo sintético: uma rede de 255 perfis criados com IA teria publicado mais de 1,2 mil conteúdos sem identificação de origem, que somaram 58,6 milhões de visualizações em um mês. Esses números vêm da petição da campanha e não foram confirmados de forma independente nas fontes consultadas.
O que a campanha pede com urgência
Antes do julgamento de mérito, a coligação quer liminares em três frentes. A primeira obriga Meta e X a preservar todos os registros internos de algoritmos. A segunda exige igualdade de tratamento entre as candidaturas nas ferramentas de IA das empresas. A terceira pede a devolução proporcional do alcance de anúncios pagos que a campanha de Lula diz não ter conseguido veicular por bloqueios técnicos.
A Meta já havia se manifestado sobre o tema. Cinco dias antes da ação, a empresa admitiu falhas técnicas pontuais que afetaram temporariamente publicações da campanha de Lula, mas negou interferência nas eleições. Na terça-feira (20), representantes da companhia prestaram esclarecimentos ao ministro do TSE Marco Aurélio Bellizze, com as duas campanhas presentes. A Meta atribuiu o problema a falhas exclusivamente técnicas e negou viés político.
A Gazeta do Povo não traz resposta da campanha de Flávio Bolsonaro nem manifestação do X sobre as acusações.
Quem decide e o que está em jogo até o segundo turno
Cassar um candidato a presidente a poucos dias da votação é um pedido de alta dificuldade processual, e a Aije costuma exigir prova de que a conduta tenha peso suficiente para afetar a disputa. A decisão sobre as liminares é o primeiro ponto a ser acompanhado, porque define se as plataformas terão de guardar os dados dos algoritmos antes que o resultado das urnas torne a discussão menos urgente.
Para as empresas, o processo abre um precedente sobre quanto o TSE pode exigir de sistemas de recomendação e de assistentes de IA em período eleitoral. Para o eleitor, a disputa chega ao tribunal com o argumento de que a escolha do que aparece na tela pode ser tratada como instrumento de poder econômico.



