O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, afirmou em delação premiada com a Procuradoria-Geral da República que fundos da gestora foram usados para ocultar propinas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a autoridades públicas. O Poder360 publicou nesta quinta-feira (10), às 5h06, o relato antecipado pela Folha de S.Paulo.
Mansur detalhou a participação da Reag e de fundos nas operações e apontou laranjas de Vorcaro. A colaboração descreve a rota do dinheiro, valores enviados ao exterior e caminhos para recuperar os ativos. Parte estaria em offshores. Com a delação, a PGR avalia repatriar recursos sem alguns dos acordos internacionais habituais. Mansur se comprometeu a pagar multa de R$ 40 milhões.
O acordo foi enviado a André Mendonça, relator do Master no STF, e ainda precisa de homologação. A Polícia Federal entrou no começo das conversas e saiu. É a primeira delação firmada pela PGR na operação Compliance Zero. A proposta chegou em agosto, com ao menos 17 temas e Vorcaro no centro. A PGR assinou em 2 de setembro.
Fundos como caixa
As investigações apontam que fundos da Reag teriam sido o cano por onde Vorcaro tirou dinheiro do Master para patrimônio pessoal ou propina. O Banco Central mapeou operações irregulares entre o banco e fundos da Reag Trust de julho de 2023 a julho de 2024. A gestora chegou a administrar cerca de R$ 341,5 bilhões. Mansur ficou no conselho até outubro de 2025.
A defesa de Vorcaro disse à Folha que não teve acesso aos anexos e, por isso, não se manifesta. A de Mansur não comentou.
Quem é Mansur
Contador pela Faap, 35 anos de mercado, passou por PwC, Monsanto, Tishman Speyer e Trump Realty Brazil. No futebol, sentou no conselho do Palmeiras e na WTorre na época do Allianz Parque. Já era alvo da Carbono Oculto, no setor de combustíveis, e da Compliance Zero. Agora entrega o mapa. Falta Mendonça homologar.



