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Câmara aprova por 461 votos perdão de R$ 12,86 bi em dívidas do MEI e eleva teto a R$ 140 mil

O plenário aprovou por 461 votos a 4 o perdão de R$ 12,86 bilhões em dívidas de mais de 3 milhões de microempreendedores e a elevação do limite de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil até 2028. O texto agora vai ao Senado.

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão de votação em Brasília
A Câmara aprovou por 461 votos a 4 os projetos que perdoam dívidas e ampliam o limite de faturamento do MEI. Foto: Pexels

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14) por 461 votos a 4 os dois projetos de lei complementar que perdoam dívidas tributárias de microempreendedores individuais e ampliam o limite de faturamento do MEI, segundo o g1. A votação transforma em decisão do plenário o que até terça-feira era apenas proposta anunciada pelo governo Lula, e o texto segue agora para análise do Senado.

Os deputados votaram as duas propostas em conjunto. O PLP 186/2026 eleva o teto de receita bruta anual da categoria e amplia a contratação de funcionários. O PLP 267/2026 concede remissão integral de dívidas inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro. O relator das propostas foi o deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), segundo a Gazeta do Povo.

O novo teto do MEI

O limite de faturamento anual do MEI está congelado em R$ 81 mil desde janeiro de 2018. Pelo texto aprovado, o teto sobe para R$ 110 mil em 2027, ano de transição, e chega a R$ 140 mil a partir de 2028, quando passa a valer de forma definitiva, de acordo com a Gazeta do Povo. A categoria também passa a poder contratar até dois funcionários, cada um recebendo até um salário mínimo, contra o limite atual de um empregado.

O perdão das dívidas tributárias

O PLP 267/2026 perdoa débitos inscritos na Dívida Ativa da União até 13 de outubro deste ano. O total de dívidas alcançadas pela medida soma R$ 12,86 bilhões, dos quais R$ 11,05 bilhões, quase 86% do montante, já eram classificados como irrecuperáveis pela própria União, segundo a Gazeta do Povo. A remissão afeta mais de 3 milhões dos 17,56 milhões de MEIs ativos no país.

A votação ocorreu um dia depois de Lula (PT) anunciar o pacote batizado de Prospera MEI, a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial. A tramitação rápida na Câmara dependeu de acordo entre o governo e o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), segundo a Gazeta do Povo.

Quem paga a conta do perdão

Com a aprovação na Câmara, as duas propostas seguem para o Senado, onde ainda precisam ser votadas antes de ir à sanção presidencial. O governo prevê que as novas regras entrem em vigor em 1º de janeiro de 2027. A perda de R$ 12,86 bilhões em créditos tributários recai sobre o Tesouro Nacional, que já contabilizava a maior parte dessa dívida como de difícil cobrança, o que reduz o impacto fiscal efetivo da renúncia. Para o microempreendedor, a medida abre a possibilidade de crescer sem perder o regime simplificado do MEI, hoje usado por 17,56 milhões de pessoas no país.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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