A Meta admitiu em comunicado, nesta sexta-feira (16), que uma falha nos filtros da Meta AI permitiu gerar imagens de propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), enquanto pedidos equivalentes sobre Lula (PT) eram bloqueados. Segundo a Exame, que divulgou o texto, a empresa nega favorecimento a qualquer candidato e atribui os episódios a erros técnicos.
A explicação central é a lista de bloqueios. De acordo com a Meta, os filtros cobriam nomes explícitos como "Lula", "Bolsonaro" e "Flávio Bolsonaro", mas não todas as combinações de prenomes comuns com números eleitorais. Pedidos com "Flávio" e o número do candidato geravam imagens. A empresa afirma que a falha também permitia criar cartazes a partir de "Luiz" e do número de Lula.
A ferramenta havia sido proibida temporariamente, no Brasil, de recomendar candidatos ou gerar imagens deles, para cumprir as regras eleitorais. A Meta diz que corrigiu o problema, mas o texto divulgado não esclarece a data exata da correção: menciona o dia 14 de outubro e, ao mesmo tempo, que o ajuste ocorreu no mesmo dia em que a falha foi identificada.
A conta de anúncios de Lula desativada por engano
O comunicado trata também de outro episódio. Em 23 de setembro, a conta de anúncios da campanha de Lula ficou desativada por pouco mais de uma hora. A Meta afirma que um anúncio foi classificado como possível tentativa de se passar por programa social do governo, o que acionou um bloqueio antifraude aplicado de forma incorreta.
Essa análise, segundo a empresa, foi feita no âmbito de um acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União. A Meta afirma que as peças já em circulação não foram afetadas e que a campanha continuou podendo criar anúncios por upload direto. A empresa aproveitou o texto para criticar as regras brasileiras de conteúdo digital, que, na avaliação dela, aumentam o risco de bloqueios indevidos.
Falhas globais e a defesa no TSE
A Meta listou ainda dois problemas que, segundo ela, não tiveram relação com política. Em 7 de outubro, as métricas de visualização de Reels ficaram congeladas, incorretas ou zeradas por cerca de cinco horas, com criadores de mais de 100 países afetados. A empresa afirma que a campanha de Flávio também a procurou nesse dia para relatar o mesmo defeito. Em 9 de outubro, uma atualização de código impediu temporariamente a criação de anúncios a partir de publicações do Instagram, também em escala global.
A empresa apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma defesa com dados técnicos, em resposta à reclamação da campanha de Lula. Segundo a Meta, uma decisão recente do TSE não encontrou indícios de manipulação da distribuição de conteúdos. Em comunicado, a empresa afirmou que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política. A campanha de Lula lê a decisão de outra forma: em chamada exibida na página da Exame, afirma que o tribunal confirmou as denúncias de favorecimento a Flávio e determinou isonomia à empresa. O corpo da matéria não detalha essa posição.
O que a admissão muda na disputa
Para a campanha de Lula, o comunicado reconhece por escrito que um filtro de IA tratou os dois candidatos de forma diferente, ponto central da reclamação levada ao TSE. Para a Meta, o texto tenta separar três coisas: uma lacuna de filtro já corrigida, um bloqueio antifraude errado e panes globais sem relação com o Brasil. Como a explicação vem da própria empresa e o corpo da matéria não traz resposta das campanhas, o que o TSE entenderá como isonomia dependerá da análise dos dados técnicos entregues pela Meta, a duas semanas do segundo turno.



