A Meta AI, assistente de inteligência artificial da Meta no WhatsApp, deu respostas diferentes para os dois candidatos do segundo turno em testes feitos em 13 e 14 de outubro, segundo pesquisa do Observatório Eleitoral do CEDIS/LIA com o grupo Diálogos Constitucionais, do Ibmec em Brasília. Os resultados foram apresentados nesta segunda-feira (19) em artigo no Metrópoles, assinado pelos pesquisadores do IDP Tainá Aguiar Junquilho e Ian Ferrare Meier.
Com Lula, o chatbot recusou 13 dos 14 pedidos de imagem. A única imagem gerada saiu de uma mensagem que usava o nome "Luiz", e os autores dizem não ser possível afirmar que ela tenha caráter político, dada a simplicidade do resultado. Com Flávio Bolsonaro, a Meta AI atendeu 8 de 12 pedidos: sete imagens de nítido caráter político e uma sem caráter identificável.
Mensagens eleitorais que ninguém pediu
Os testes simulavam um cidadão que pede imagens de forma rápida e direta. Foram 6 tipos de mensagem sobre Lula e 4 sobre Flávio. Nas sete imagens políticas do candidato do PL, o sistema incluiu textos que ninguém havia solicitado, como "Vote 22" e "Flávio 22, Presidente 2026, O Brasil avança com o 22". Em duas delas, apareceu também o rosto do candidato.
Para os pesquisadores, o resultado revela uma "clara diferença de tratamento" e viola os incisos I e II do parágrafo 1º-C do artigo 28 da Resolução 23.610/2019, que tratam de priorização de candidato e de favorecimento político, inclusive em respostas automatizadas. A regra entrou na norma pela Resolução 23.755, publicada pelo TSE em 2 de março de 2026, e veda que provedores de IA ranqueiem, recomendem ou priorizem candidatos, mesmo a pedido do usuário.
Numa primeira fase, o mesmo grupo havia apontado descumprimento por Claude, Gemini, ChatGPT e Grok, com recomendação de voto em um "perfil técnico" e ranqueamento de candidatos.
Ajuste da Meta e multa de R$ 500 mil por dia
Segundo o artigo, a Meta informou às 12h20 de 14 de outubro que tomou "medidas adicionais" para que comandos com apenas o primeiro nome e o número do candidato deixem de gerar imagens. Às 21h54 daquele dia, o chatbot recusou os quatro tipos de mensagem sobre Flávio e respondeu que não pode criar "cartazes de campanha política com nome e número de candidato". O teste repetido em 15 de outubro, às 14h54, teve o mesmo resultado.
Ainda em 15 de outubro, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, determinou que a Meta não interfira na distribuição de conteúdo político-eleitoral de nenhum candidato até o fim do segundo turno, sob multa diária de R$ 500 mil. O ministro afirmou que, por ora, não há elementos para dizer que a empresa manipulou de propósito a distribuição de conteúdos. A própria Meta reconheceu em seu site uma "lacuna" no sistema de IA e "falhas técnicas" na moderação de anúncios e conteúdos.
O que os pesquisadores querem saber da Meta
Os pesquisadores pedem que a Meta divulgue as ações adotadas para garantir isonomia e integridade eleitoral, informe quais palavras e combinações estão bloqueadas e explique como funcionam os filtros de seus sistemas de IA. Para eles, a alegação genérica de "incidente técnico", sem prestação de contas, impede a sociedade de avaliar a neutralidade da empresa.
A correção feita depois dos testes só foi verificada pelos próprios pesquisadores em dois momentos, nos dias 14 e 15. O segundo turno está a poucos dias, a multa diária de R$ 500 mil continua em vigor, e a Meta ainda não detalhou publicamente quais bloqueios aplicou.



