A Meta informou nesta quarta-feira (21) que fechou o 3º trimestre de 2026 com receita de US$ 64,6 bilhões, alta de 26% sobre um ano antes e acima dos US$ 63,34 bilhões do consenso compilado pelo Investing.com, segundo o Poder360. O lucro por ação diluído, porém, ficou em US$ 3,83, abaixo dos US$ 6,58 esperados pelo mercado.
A diferença tem um nome: uma despesa extraordinária de US$ 9,89 bilhões ligada a um acordo judicial nos Estados Unidos sobre saúde mental de adolescentes e redes sociais. Sem esse encargo, o lucro por ação seria de US$ 7,40, acima da estimativa dos analistas, de acordo com o balanço.
O que o acordo fez com as margens
O lucro líquido foi de US$ 9,86 bilhões, alta de 264% sobre os US$ 2,71 bilhões do 3º trimestre de 2025. O número engana: a provisão para imposto de renda caiu de US$ 18,95 bilhões para US$ 3,14 bilhões na comparação anual, o que inflou a base de comparação do ano passado.
O lucro operacional foi de US$ 12,99 bilhões, queda de 37%. Sem o encargo, chegaria a US$ 22,88 bilhões. A margem operacional recuou de 40% para 20%, e as despesas totais subiram 68%, para US$ 51,61 bilhões.
Anúncios sustentam o crescimento
A receita de publicidade somou US$ 63,06 bilhões, também com alta de 26%. As impressões de anúncios cresceram 10% e o preço médio por anúncio subiu 14%. Os usuários ativos diários médios chegaram a 3,64 bilhões em setembro, 3% a mais que um ano antes.
Gastos de 2026 e o que a Meta projeta
Para 2026, a Meta projeta despesas totais entre US$ 175 bilhões e US$ 179 bilhões. O investimento de capital, que alimenta a corrida por infraestrutura de IA, ficará entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões. A faixa anterior era de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões, ou seja, o piso subiu US$ 5 bilhões.
Para o 4º trimestre, a empresa espera receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões. Segundo o Poder360, a Meta afirmou que, excluindo a despesa extraordinária, espera encerrar o ano com lucro operacional superior ao de 2025. Para 2027, a companhia disse que pretende manter o crescimento da receita, sem divulgar projeção anual. As perdas do Reality Labs devem ficar em cerca de US$ 15 bilhões em 2027, ante US$ 18 bilhões a US$ 19 bilhões estimados para 2026.
Quem sente o efeito: o acionista
O balanço também anuncia uma nova classe de ações, a Classe C, sem direito a voto, prevista para janeiro de 2027. Cada acionista das classes A e B receberá uma ação Classe C, e as ações Classe A continuarão negociadas na Nasdaq. Para o investidor, o trimestre mostra um negócio de anúncios em expansão que segue financiando gastos bilionários em IA, enquanto o custo jurídico das redes sociais passou a aparecer de forma explícita no resultado.



