quarta-feira, 21 de outubro de 2026 · Edição diária

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Meta tem receita de US$ 64,6 bi, mas acordo de US$ 9,89 bi derruba lucro por ação a US$ 3,83

A Meta faturou 26% a mais no trimestre e superou a projeção de receita, mas uma despesa extraordinária de US$ 9,89 bilhões com um acordo nos EUA cortou o lucro operacional em 37%.

Fachada de escritório da Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp
A Meta divulgou nesta quarta-feira (21) os resultados do 3º trimestre de 2026, com receita de US$ 64,6 bilhões. Foto: Pexels / Larkin Hammond

A Meta informou nesta quarta-feira (21) que fechou o 3º trimestre de 2026 com receita de US$ 64,6 bilhões, alta de 26% sobre um ano antes e acima dos US$ 63,34 bilhões do consenso compilado pelo Investing.com, segundo o Poder360. O lucro por ação diluído, porém, ficou em US$ 3,83, abaixo dos US$ 6,58 esperados pelo mercado.

A diferença tem um nome: uma despesa extraordinária de US$ 9,89 bilhões ligada a um acordo judicial nos Estados Unidos sobre saúde mental de adolescentes e redes sociais. Sem esse encargo, o lucro por ação seria de US$ 7,40, acima da estimativa dos analistas, de acordo com o balanço.

O que o acordo fez com as margens

O lucro líquido foi de US$ 9,86 bilhões, alta de 264% sobre os US$ 2,71 bilhões do 3º trimestre de 2025. O número engana: a provisão para imposto de renda caiu de US$ 18,95 bilhões para US$ 3,14 bilhões na comparação anual, o que inflou a base de comparação do ano passado.

O lucro operacional foi de US$ 12,99 bilhões, queda de 37%. Sem o encargo, chegaria a US$ 22,88 bilhões. A margem operacional recuou de 40% para 20%, e as despesas totais subiram 68%, para US$ 51,61 bilhões.

Anúncios sustentam o crescimento

A receita de publicidade somou US$ 63,06 bilhões, também com alta de 26%. As impressões de anúncios cresceram 10% e o preço médio por anúncio subiu 14%. Os usuários ativos diários médios chegaram a 3,64 bilhões em setembro, 3% a mais que um ano antes.

Gastos de 2026 e o que a Meta projeta

Para 2026, a Meta projeta despesas totais entre US$ 175 bilhões e US$ 179 bilhões. O investimento de capital, que alimenta a corrida por infraestrutura de IA, ficará entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões. A faixa anterior era de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões, ou seja, o piso subiu US$ 5 bilhões.

Para o 4º trimestre, a empresa espera receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões. Segundo o Poder360, a Meta afirmou que, excluindo a despesa extraordinária, espera encerrar o ano com lucro operacional superior ao de 2025. Para 2027, a companhia disse que pretende manter o crescimento da receita, sem divulgar projeção anual. As perdas do Reality Labs devem ficar em cerca de US$ 15 bilhões em 2027, ante US$ 18 bilhões a US$ 19 bilhões estimados para 2026.

Quem sente o efeito: o acionista

O balanço também anuncia uma nova classe de ações, a Classe C, sem direito a voto, prevista para janeiro de 2027. Cada acionista das classes A e B receberá uma ação Classe C, e as ações Classe A continuarão negociadas na Nasdaq. Para o investidor, o trimestre mostra um negócio de anúncios em expansão que segue financiando gastos bilionários em IA, enquanto o custo jurídico das redes sociais passou a aparecer de forma explícita no resultado.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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