A Meta e a Apple colaboraram para executar o Muse Spark Open, novo modelo de IA da Meta com pesos abertos, em dois computadores Mac Studio com chip M5 Ultra. A informação foi publicada pela Exame nesta quinta-feira (15), com base em declarações de Alexandr Wang, diretor de inteligência artificial da Meta, ao site Axios.
Wang afirmou que as duas empresas trabalham juntas há meses para levar um modelo da Meta aos computadores da Apple. Ele disse que, onde faz sentido colaborar e formar parcerias, a Meta quer poder fazê-lo, e comparou a situação a pais que voltam a se entender. A frase deu origem ao título da matéria da Exame.
O que cabe em dois Mac Studio
De acordo com a documentação da Meta citada pela Exame, o Muse Spark Open tem 816 bilhões de parâmetros no total, dos quais 42 bilhões ficam ativos durante o processamento. A diferença vem da arquitetura de mistura de especialistas, que aciona só partes do sistema a cada etapa. O modelo foi desenhado para programação, uso de ferramentas e tarefas de vários passos.
Cada Mac Studio oferece até 512 GB de memória unificada, e a Meta diz que a soma das duas máquinas basta para carregar o modelo. A execução usa o MLX, conjunto de ferramentas da Apple para rodar modelos em seus chips, que consegue dividir um modelo entre vários Macs e coordenar a comunicação entre eles. Nos testes da documentação de lançamento, o modelo alterou um aplicativo de iOS e editou vídeo no DaVinci Resolve. São demonstrações divulgadas pela própria Meta.
Dois anos de atrito sobre privacidade
A aproximação ganha peso pelo histórico. Em 2021, a Apple passou a exigir que aplicativos pedissem permissão aos usuários para rastrear atividade em serviços de outras empresas. A medida atingiu a publicidade segmentada, que a Meta citou como obstáculo ao próprio negócio. A Exame descreve o episódio como o início de anos de disputa entre as duas sobre privacidade.
O Muse Spark original, apresentado em abril, era um sistema fechado. A Meta havia sinalizado que versões abertas viriam depois, e o Muse Spark Open cumpre essa promessa.
Pesos abertos não significam uso livre
O modelo sai sob a Muse Model License, que permite muitos usos comerciais sem custo, com condições. Empresas que oferecem o modelo como serviço e passam do limite de receita previsto na licença precisam de um acordo separado com a Meta. Desenvolvedores também têm de cumprir exigências de atribuição, a política de uso e as regras do próprio setor.
Rodar localmente dá mais controle sobre onde os dados são processados, porque tudo acontece no equipamento do usuário e não na infraestrutura de um provedor. O custo muda de lugar: os pesos podem ser gratuitos, mas hardware, energia e configuração não são. Agentes que consultam sites ou chamam serviços externos continuam precisando de internet.
A configuração mostrada usa duas máquinas de topo e não indica compatibilidade com todos os Macs. Rodar o modelo num Mac também é diferente de integrá-lo à Siri ou ao Apple Intelligence, e nenhuma integração desse tipo foi anunciada.



