A Microsoft concluiu o pré-treinamento do MAI-Base-2, um modelo de linguagem próprio com 2,8 trilhões de parâmetros, treinado em 16 mil GPUs GB200 da Nvidia durante 38 dias. As informações são da Exame, em reportagem publicada nesta quinta-feira (15).
O modelo usa a arquitetura de mistura de especialistas (MoE, na sigla em inglês), em que só uma parte dos parâmetros trabalha a cada resposta. No caso do MAI-Base-2, são 80 bilhões de parâmetros ativos. O treino aconteceu entre agosto e setembro. O modelo ainda está em pós-treinamento e não está aberto ao público.
Pesos licenciados a parceiros pela Foundry
A Microsoft planeja licenciar os pesos do modelo a parceiros de confiança por meio da Foundry, sua plataforma de desenvolvimento de IA. Os pesos são os parâmetros já treinados, que permitem a quem os recebe rodar e adaptar o modelo.
Em avaliações internas de código, perguntas e respostas, ciência e matemática, a empresa afirma que o MAI-Base-2 superou os modelos de pesos abertos que testou. A comparação é da própria Microsoft e, segundo a Exame, não inclui o ChatGPT. Não há, até aqui, teste independente dos resultados.
A família MAI já está em produtos
Os modelos da série MAI começaram a entrar no Excel, no Outlook e no GitHub Copilot. Em julho, o presidente-executivo Satya Nadella disse que o MAI-Code-1-Flash igualou a qualidade do GPT-5.6 em tarefas comuns do Excel, com custo muito menor. Também nesse caso a medição foi feita pela Microsoft.
Nadella afirmou ainda que todo modelo é substituível e que trabalhar com vários modelos ajuda a manter os serviços no ar caso um fornecedor ou uma tecnologia mude. É a justificativa da empresa para desenvolver tecnologia interna em paralelo ao que compra de terceiros.
O que a OpenAI mantém com a Microsoft
A parceria com a OpenAI continua. Em um acordo atualizado em abril, a Microsoft manteve até 2032 a licença de propriedade intelectual sobre os modelos e produtos da OpenAI. A licença agora é não exclusiva, o que deixa a OpenAI livre para fechar contratos com outras empresas. A Microsoft segue como principal provedora de nuvem e acionista da startup.
O que muda para quem compra Microsoft
A reportagem não informa data de lançamento, preço nem disponibilidade do MAI-Base-2 no Brasil. Para empresas que já pagam por Microsoft 365, GitHub Copilot e Azure, a consequência prática depende do pós-treinamento, que ainda está em curso. Os produtos podem passar a usar modelos próprios da Microsoft em tarefas específicas, no lugar dos de terceiros, como a empresa já faz no Excel.



